para Telles do Rosário e o http://apartamento902.blogspot.com ...
E VAI AMAR! Vai tomar em um cú qualquer, vai se estrepar. Vai para rua, vai ouvir, vai viver! Vai pra lá, vai amar, vai embora, sai daqui!
Sai dessa internet, sai desse twitter, sai desse blog!
E VAI, VÁ
VA-ZA!
narrativas, crônicas e prosas superficiais de pura verdade com um fundo de mentira; ou vice-versa.
Tuesday, 27 July 2010
Saturday, 24 July 2010
Afe, Que Saudade...... Afe!
De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. Afe, que saudade..... Afe! De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. Afe, que saudade..... Afe! De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. Afe, que saudade..... Afe! De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. Afe, que saudade..... Afe! De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. Afe, que saudade..... Afe! De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. Afe, que saudade..... Afe! De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. Afe, que saudade..... Afe! De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. Afe, que saudade..... Afe! De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. Afe, que saudade..... Afe! De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. Afe, que saudade..... Afe! De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. Afe, que saudade..... Afe! De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. Afe, que saudade..... Afe! De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. Afe, que saudade..... Afe! De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. Afe, que saudade..... Afe! De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. Afe, que saudade..... Afe! De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. Afe, que saudade..... Afe! De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. Afe, que saudade..... Afe! De antemão. Pelo fim do final. Pulou para outro. Destilou, dissolveu, evoluiu, recomeçou, renovou. Versão 3.2, folha de papel reciclada com caneta vazia, salivando de gosto de escrever. Obrigada pela leitura. E releitura!
para 'The End'....
para 'The End'....
Thursday, 22 July 2010
Abraçou As Costas Daquela
Longíqua pessoa e disse 'chora que eu seguro'. Segurou com efeito. Segurou sem suspiro e colocou todas as vértebras no lugar. Prometeu a vinda e chegou. Segurou as costas, pelas costas, enquanto um tomate era cortado, não uma cebola. O choro era verdadeiro, não era um choro de cebola. 'Segura essa onda, neguinha, que eu cheguei. Bota aquela argola que eu te dei, vamos sair', ordenou. Deixou o tomate e foi para a argola. Voltou e uma taça de vinho tinto esperava ainda sem equilíbrio de horizonte, vinho recém posto na taça. 'A gente vai e ninguém mais vai, fique tranquila. Pode vazar a emoção! Ninguém vai estar lá', acalmou. 'Bota aquele vestido bonito e acende esse olho. Quero ver os olhos pegando fogo!', delegou. 'Tem gente bondosa vindo aí, não vai precisar se defender mais! Confie!', anunciou. 'Deixa esse tomate, pega cinco uvas e pensa que teu nome é Isadora!', continuou. 'Fecha a porta, deixa uma luz acesa, e olha sempre para os lados ao caminhar na rua', completou. A tranca deu duas voltas. Logo, iria voltar. Bem melhor. Ou não.
Quando A Turma Reunia, Alguém Sempre Pedia
para 'Dinorah, Dinorah'...
'Canta uma pra mim?'. A nova turma achava-a guerreira, emocionante. Com R$31,56 na conta bancária popular, ela pensou o inevitável e perverso futuro do 'tenho que voltar para noite'. Se o que vingava era o encantamento fácil, a beleza irritante, então que isso virasse dinheiro com urgência. Entrou em bares bairro do centro afora, noite adentro, e começou a caça aos aliados. Sentava no balcão, e observava a dinâmica dos grupos musicais sentindo de antemão se eles seriam agregadores ou oponentes sob os holofotes. Os bateristas sempre tão felizes em falar com as belas, os baixistas e tecladistas desconfiados, os saxofonistas seriam os últimos a se falar. Dividir solo não era para qualquer um que emitisse ar de diafragma como instrumento. Todas as noites enquanto não conseguia um suporte competente de notas múltiplas e vindouras, ela encarava o fardo no quarto. Dançava solta para o espelho com o pedestal sob a sua chave de braço, dominado, e com os lábios sob a teia de reverberação do som. Acordava todas as manhãs de R$31,56 intocáveis com a sensação derrotada do nulo e ao entardecer já buscava a sua rota de procura dos aliados, um pouco mais recuperada. Todas as vezes que sentava no balcão um malandro qualquer, mais velho e com um copo de uísque em punho oferecia uma bebida. Protegia-se com a sua caneta no papel, elegantemente, e nenhuma oferta de um motel de classe seria evidentemente bem-vinda. Malandro por malandro, todo dia haveria outro, descrevendo-a como musa da boêmia, e deixando-se ver como com óculos de grau recém-comprado de alívio o fascínio latente. Os que gostavam do que viam e não eram malandros de nascença, levavam um tapão na orelha da acompanhante. O lembrete da acompanhante de que o ensaio da briga poderia virar até espetáculo. E após várias noites de busca, conseguiu dois grupos competidores que a pediam um repertório sofisticado, para agradar os mesmos malandros solitários de uísque em punho em mesas de bares para duplas porém com uma eterna cadeira vazia. Logo, logo, soube que as cantoras do bairro cantavam uma canção do seu repertório. Algumas usavam até, repetiam o mesmo vestido vermelho de Iansã, pensando que aquele manto também ficaria tão bem nelas quanto na de beleza irritante. E para tão pouco, achou o pior aquela repetição. A repetição era o pior. O pior!
'Canta uma pra mim?'. A nova turma achava-a guerreira, emocionante. Com R$31,56 na conta bancária popular, ela pensou o inevitável e perverso futuro do 'tenho que voltar para noite'. Se o que vingava era o encantamento fácil, a beleza irritante, então que isso virasse dinheiro com urgência. Entrou em bares bairro do centro afora, noite adentro, e começou a caça aos aliados. Sentava no balcão, e observava a dinâmica dos grupos musicais sentindo de antemão se eles seriam agregadores ou oponentes sob os holofotes. Os bateristas sempre tão felizes em falar com as belas, os baixistas e tecladistas desconfiados, os saxofonistas seriam os últimos a se falar. Dividir solo não era para qualquer um que emitisse ar de diafragma como instrumento. Todas as noites enquanto não conseguia um suporte competente de notas múltiplas e vindouras, ela encarava o fardo no quarto. Dançava solta para o espelho com o pedestal sob a sua chave de braço, dominado, e com os lábios sob a teia de reverberação do som. Acordava todas as manhãs de R$31,56 intocáveis com a sensação derrotada do nulo e ao entardecer já buscava a sua rota de procura dos aliados, um pouco mais recuperada. Todas as vezes que sentava no balcão um malandro qualquer, mais velho e com um copo de uísque em punho oferecia uma bebida. Protegia-se com a sua caneta no papel, elegantemente, e nenhuma oferta de um motel de classe seria evidentemente bem-vinda. Malandro por malandro, todo dia haveria outro, descrevendo-a como musa da boêmia, e deixando-se ver como com óculos de grau recém-comprado de alívio o fascínio latente. Os que gostavam do que viam e não eram malandros de nascença, levavam um tapão na orelha da acompanhante. O lembrete da acompanhante de que o ensaio da briga poderia virar até espetáculo. E após várias noites de busca, conseguiu dois grupos competidores que a pediam um repertório sofisticado, para agradar os mesmos malandros solitários de uísque em punho em mesas de bares para duplas porém com uma eterna cadeira vazia. Logo, logo, soube que as cantoras do bairro cantavam uma canção do seu repertório. Algumas usavam até, repetiam o mesmo vestido vermelho de Iansã, pensando que aquele manto também ficaria tão bem nelas quanto na de beleza irritante. E para tão pouco, achou o pior aquela repetição. A repetição era o pior. O pior!
Wednesday, 21 July 2010
Se
para E....
A minha idéia for a tua idéia, e se a nossa idéia pertencer a uma terceira pessoa, quem seria o dono da idéia? Se você morrer, a idéia continua sendo sua, você seria respeitado? Ou vira nossa, da dupla restante? E se a teoria das cordas for comprovada e virar a lei das cordas? E se eu puder multiplicar essa tal idéia, através do meu clone, que vive em altitude e latitude mundial oposta à minha, em outra parte do mundo? E se o meu clone executar a idéia de maneira medíocre porém mais exponente que a minha mesma idéia? Eu estaria imitando o meu clone? Se eu dobrar todos os meus pensamentos no ser mais próximo a mim, e ele for embora? Quem seria esse ser a quem eu dei o meu pensar? E se pensamentos não se dão, como poder-se-ia realizá-los em silêncio? E se com calma e em silêncio alguém ouvisse o outro até que ele se hiptinotizasse a si mesmo com a sua própria voz, e ele até pensasse que tudo que ouviu da voz induzida foi fruto da sua mente, exclusivamente? Quem seria o hipnotizador, o ouvinte ou o falante? E se ele continuasse hipnotizado até que se sentisse, por silêncio e apenas voz própria sem dissidência, capaz o suficiente de ser o maior de todos? E se quando não hipnotizado o ser de voz ativa e preponderante notasse que enquanto esteve hipnotizado com suas próprias palavras outros seres já falavam outras coisas mais relevantes? E se ele sentisse o defasar do seu pensar? E se ele notasse a falta de renovação mental por falta de movimento físico? E se ele parasse de se falar e por dez dias fosse abnegado o bastante para apenas escutar, sem falar? E se ele não tivesse esse tempo? E se amanhã fosse o seu último dia de vida? Você executaria a tal idéia ou procuraria o banho de mar mais próximo? E se as idéias não existissem, somente a ação e o movimento consequencial que levaria ao improviso do acontecimento, puramente no presente atual? E se você tivesse que estar constantemente alerta, por não haver plano? E se as oportunidades fossem todas chupadas naquele momento com rapidez? E se não houvesse planejamento e o instinto primordial fosse o executor da ação sem pensamento? E se houvesse um vencedor, quem seria, o mal ou o bem? E se eu pudesse dobrar toda a minha ação em ida e volta, como um bumerangue? E se nessa volta do bumerangue todos se matassem sem saber, apenas por movimento consequencial impensado? E se todos se matassem qual seria o animal que reavivaria a espécie humana? E se depois de reavivada, a espécie humana tivesse o primeiro ser humano com uma idéia dissidente, o que aconteceria? Internariam ou interditariam a idéia dissonante por desordem da união da espécie. E qualquer idéia não mais seria sua. Por incapacidade mental. De pensar pensamentos. Você morreria pobre e iniputável. E a próxima geração o resgataria como gênio incompreendido, exemplo de ultrapassamento da geração anterior. E você seria grande, como deveria ser quando pensava.
A minha idéia for a tua idéia, e se a nossa idéia pertencer a uma terceira pessoa, quem seria o dono da idéia? Se você morrer, a idéia continua sendo sua, você seria respeitado? Ou vira nossa, da dupla restante? E se a teoria das cordas for comprovada e virar a lei das cordas? E se eu puder multiplicar essa tal idéia, através do meu clone, que vive em altitude e latitude mundial oposta à minha, em outra parte do mundo? E se o meu clone executar a idéia de maneira medíocre porém mais exponente que a minha mesma idéia? Eu estaria imitando o meu clone? Se eu dobrar todos os meus pensamentos no ser mais próximo a mim, e ele for embora? Quem seria esse ser a quem eu dei o meu pensar? E se pensamentos não se dão, como poder-se-ia realizá-los em silêncio? E se com calma e em silêncio alguém ouvisse o outro até que ele se hiptinotizasse a si mesmo com a sua própria voz, e ele até pensasse que tudo que ouviu da voz induzida foi fruto da sua mente, exclusivamente? Quem seria o hipnotizador, o ouvinte ou o falante? E se ele continuasse hipnotizado até que se sentisse, por silêncio e apenas voz própria sem dissidência, capaz o suficiente de ser o maior de todos? E se quando não hipnotizado o ser de voz ativa e preponderante notasse que enquanto esteve hipnotizado com suas próprias palavras outros seres já falavam outras coisas mais relevantes? E se ele sentisse o defasar do seu pensar? E se ele notasse a falta de renovação mental por falta de movimento físico? E se ele parasse de se falar e por dez dias fosse abnegado o bastante para apenas escutar, sem falar? E se ele não tivesse esse tempo? E se amanhã fosse o seu último dia de vida? Você executaria a tal idéia ou procuraria o banho de mar mais próximo? E se as idéias não existissem, somente a ação e o movimento consequencial que levaria ao improviso do acontecimento, puramente no presente atual? E se você tivesse que estar constantemente alerta, por não haver plano? E se as oportunidades fossem todas chupadas naquele momento com rapidez? E se não houvesse planejamento e o instinto primordial fosse o executor da ação sem pensamento? E se houvesse um vencedor, quem seria, o mal ou o bem? E se eu pudesse dobrar toda a minha ação em ida e volta, como um bumerangue? E se nessa volta do bumerangue todos se matassem sem saber, apenas por movimento consequencial impensado? E se todos se matassem qual seria o animal que reavivaria a espécie humana? E se depois de reavivada, a espécie humana tivesse o primeiro ser humano com uma idéia dissidente, o que aconteceria? Internariam ou interditariam a idéia dissonante por desordem da união da espécie. E qualquer idéia não mais seria sua. Por incapacidade mental. De pensar pensamentos. Você morreria pobre e iniputável. E a próxima geração o resgataria como gênio incompreendido, exemplo de ultrapassamento da geração anterior. E você seria grande, como deveria ser quando pensava.
Sunday, 18 July 2010
Já Que Não Foi O Dia
Iria esperar outra noite. Para tentar de novo. Para começar tudo outra vez, com um novo 'oi, você é daqui dessa cidade?'. Aí, quem sabe, faria uma escolha melhor outro dia, de noite. Sabendo que apesar de não ser a melhor escolha, seria a que mais perduraria, a de pedra bruta. Tentaria conquistar pela boca, pelos olhos, aceitando a face mais convencida daquele ser tão inexperiente, e ao mesmo tempo tão curioso e experimentado para aquela insignificante pequena vivência. Diria coisas poucas, com voz doce, somente para surrupiar o momento e levar para um escuro que calasse aquela boca falante. E aí, quando sentiria o inteiro, sim, a partir de então, fixaria o olhar sem balbuciar textos de preenchimento falso, vazios como os pastéis de feira. Somente porquê sentiu o que queria, e notou que aquela baboseira toda não levava a nada. Iria calar! Calar toda aquela góga babada. Bem calado, sentado, moreno, de dente torto arrancável com um dedo, metido a besta fera, queijudo e esperando, realmente, quem calasse aquela boca grande. E chegaria. Para mostrar quem seria teu mestre. Mas, iria chegar somente outra noite. Tudo de novo.
Friday, 16 July 2010
O Bilhete De Angústia
'É, para os que não sabem dizer aquela outra palavra. Quatro horas de angústia, e a continuação da mesma na 'lonjura', quiabo. O forro do assento estava duro, sim. Irene riu! Ha! Viramos os quilômetros, a guitarra chamou, sim... Mas, não fui! Me dá mais treze, por favor? Ainda na angústia. Aquele chá não adianta, não. A jarra feita acabou! 61, rola? E amanhã, pode? Angustia, mí amor! É angústia para quem não sabe dizer saudade! Queimo no corpo 40 graus de angústia! Me banha frio? Logo! Perfeito. Angústias e esfregações. Tua. Pour tout toujours.'
Wednesday, 14 July 2010
'É Assim, Mesmo...Paciência'
Disse ele, aceitando a despedida. Afirmando que vai ser diferente, vai ser duradouro. Seriam eternos como nos dias em que tudo esteve no mais devido lugar. Tudo equilibrado e preenchido. A parceria acontecerá, sabiam agora que podiam confiar um no outro, teriam os melhores interesses próprios e alheios em mente. Queriam crescer, e cresceriam. Eram dois machos em progresso, somente um deles estava disfarçado de mulher, uma mulher que ficava doce e amável na presença do outro, alimentada de confiança. O porto de açúcar estaria sempre aberto para o encontro dos dois, dos dois homens que zarpam e voltam. O que se despediu foi primeiro com um dever a cumprir na cidade planalto, e jurava uma admiração eterna. O que ficou e ia para a cidade dragão era um rebatedor de luz do admirar àquele 'homem foda'. Deram-se impulso na ida e brincaram com o 'vai na fé, selvagem'. Cada um falou por tempos das qualidades alheias, fizeram o exercício do impulso de potência, prometiam um encontro em uma divisa do Piauí com o Ceará, próxima ao litoral. Abraçaram-se e choraram de saudade prévia. Não precisaram falar em amor. Ele já era assim, assim. Dos dois. Para sempre.
Tuesday, 13 July 2010
Descansou
Com a marola batendo na sola dos pés, com a pequena reflexologia marítima. Com a exfoliação da pele feita pela areia, com a descarga de energia corporal feita pelo iodo do sal. Deitou no colo do sol para receber um cafuné violento de uva e uvb. Limpou os olhos de água salina. Sorriu de satisfação sob a página de um livro molhado aberto. E descansou.
Sunday, 11 July 2010
Duas Mãos
Entrelaçaram-se com tanta emoção, que transmitiram ao que assistia um prazer em dizer 'poxa, tão bonito isso! fiquei emocionado'. Saíram para falar da estória futura, imaginar quem seria ele e quem seria ela. Olharam-se e deram-se as mãos, sussuraram concordando que seriam mudos a partir daquele momento e até chegarem em casa. Comunicavam-se por gestos, suavam dançando a cumbia e a guaracha cubana. Mordiam a orelha alheia e cheiravam-se contentes por ambos estarem presentes. Sem voz, havia o cheiro do duo e o toque esperto ágil do corpo, o entrelaçar das mãos, das pernas na dança, o contato das braguilhas frontais, roçando em ritmo solto. Costelas, ombros, cintura, bunda, pescoço e as mãos não sabiam onde repousar, queriam pegar tudo, pegar geral. Estavam unidos pelos umbigos. A música mudava, eles iam e continuavam, absortos um no outro, concentrados no movimento do corpo. Ele tentou falar e a mão agitada em frenesi freou, negou o som da voz. Agarrou-a pelas bochechas e olhando-a fixamente voltou a concentrar no pensamento de ligação. Sem palavras. Silêncio e movimento e dança. Entre as canções menos instigadoras, comunicavam-se por gestos de um quase cansaço do corpo. Tinham como vantagem o entendimento dos vários sinais de comunicação da malandragem e da linguagem dos sinais. Outros sinais eram somente complementos criativos que provocavam o sorriso espirrado e prazeroso dos que se entendem muitíssimo bem. Voltavam a entrelaçar os corpos com frequência e puseram-se em um nível de entendimento profundo. Sem voz alguma. Largaram do turno do silêncio com afeição às sete e meia da manhã, rumo ao apartamento, porém não falaram. Ela pôs o dedo indicador pressionado contra os lábios e nem emitiu o som do 's'. Era uma ordem explícita e sem som. Apreciaram o caminho e seus detalhes notando a cidade. Chegaram, e após um copo de água corpo adentro, tiraram a roupa e puseram uma última balada lenta. Dançaram nus até que o entrelaçar virasse naturalmente o começo de um encaixe de corpo, com o pau pressionado entre coxas e a dança contida e roçada com cuidado para não sair do lugar ou perder o ritmo, e o transe chegou. Fazendo eles desprezarem o final da última música com urgência. O novo som restante era somente do ar condicionado que acalmava o suor insistente dos que esfregavam-se e encaixavam-se, ainda plenamente presentes um no outro, em silêncio. O encaixe fruto da dança.
Friday, 9 July 2010
Do Mercado De São José
Saiu em direção reta rumo à banca de ervas na rua. O vendedor tinha uma conversa maravilhosa, Ana Paula já conhecia, mas o que ela queria era dar uma fungada profunda e sentir o cheiro do mato. O vendedor olhou e ofereceu um banho de sete ervas, preparado por sua mulher, e ela aceitou com uma sacudida vertical de rosto e comprou uma garrafa de refrigerante grande cheia da tal cura da mulher índia do vendedor. 'Isso é muito bom para tirar olho grande, mau olhado, tudo que é impedimento, viu, moça? Agora é do pescoço pra baixo somente, vú? Na cabeça nunca! Proteja a cabeça! Separe do corpo!', falou ele rindo. Ana Paula mais uma vez acenou em silêncio, verticalmente movimentando o rosto, em um indicar positivo. Saiu da banca de ervas, seguiu costurando o bairro do centro entre as pontes, sob o sol, sempre com uma mão no corrimão dos arcos das mesmas fazendo carinhos na cidade. Em silêncio, continuou andando e parou nos lugares menos prováveis, como no quiosque do sapateiro, na loja de artigos militares, na escadaria da igreja de São Francisco e no pé de uma ponte próxima a um pescador que tentava pegar um guaiamum de mangue. Todas as vezes nas quais parou só disse uma frase que justificaria todo o seu estado. 'Tô tão cansada...', dizia lentamente. Em todas as vezes nas quais disse isso, só precisou olhar para baixo e descansar. Uns traziam água, outros perguntavam o 'a senhora tá bem?', uma moça ofereceu o seu bebê de 3 anos e meio ordenando que o menino desse um beijo na moça 'para ela ficar contente' e forçando um sorriso, o sapateiro providenciou uma cadeira e pediu que tirasse os sapatos para respirar um pouco antes de voltar a andar e o pescador disse o que ele sabia sobre o cansaço.. 'É moça, têm uns dias que a gente cansa, mesmo. é tanta luta, né? tem dia que o mar, ou esse mangue não trazem nada, mesmo. mas, eu já pensei que como dizem por aí que o mar vai avançar, eu que entendo de mar ruim, revolto, seco ou afoito, eu acho que vou me dar bem e vai ser bom é para mim. o que me resta é essa esperança, sabe? de que o mar vai avançar e minha luta de não ter vai acabar. tô doido para ver a água! sente aí e descanse, depois a senhora anda de novo', disse ele catucando o único mini guaiamum dentro do balde e continuando o trabalho. Ana Paula perguntou o nome de cada um que lhe ofereceu água, cadeira, beijo, cuidado e palavra e agradeceu. Seguiu em frente desde a última ponte que cruzou, acariciando a Rua da Aurora pela calçada com sua pisada agora mais leve, conseguiu o ônibus que queria e foi em direção ao seu refúgio tomar o banho que lhe cabia, de renovação de proteção para andar mais no dia seguinte. Foi tomar o banho.
Thursday, 8 July 2010
Wednesday, 7 July 2010
Dunga E Eliza
Foram decapitados, esquartejados, mortos e descartados. Um viu o pós-morte e sacode a poeira, e a outra ainda não teve seus ossos achados entre a areia. Um tentou defender a nação com seu temperamento de esforço e pouco sorriso, outra tentou defender o seu amor e filho com exacerbado sorriso e oferta de corpo e vida. Ambos tinham ambições no País da genteboazice, dedãolegal, humildade e resiliência hierárquica. Os dois não sabiam que mesmo em posto de direção ou sendo mãe do filho não eram os que mandavam, e foram cortados dos seus postos. Os homens odiavam e julgavam o Dunga que não obteve vitória. As mulheres odiavam a Eliza mariachuteira que teve o que mereceu por ser gananciosa. A pátria mãe gentil gosta de filhos obedientes, sem ambição, prontos a aceitar com resignação seja o que Deus quiser. Dunga e Eliza são a prova de um País de mentalmente deficentes que anula pessoas competentes sem sorriso, reservadas e com poucos amigos ou mulheres sozinhas que não são mulheres oficiais. O importante é um dedo de legal, quem você conhece e sua capacidade de não pensar, calar a boca, amar ficando em segundo plano e apanhar calado. Dunga e Eliza são ilustrações mortas da vergonha que é a pátria amada intolerante, nepotista, machista e julgadora.
Emma
De Leeds, encantou-se com Olinda. 'Você veio da minha terra, e eu na sua? Que mágico!', soltou entre as baforadas do cigarro. A cantora inglesa fazia shows de jazz nos bistrots da cidade e ofereceu 'os seus músicos, eu te dou! canta em português para mim!'. A cantora inglesa dividiu o palco em plena segurança. Quem dançou na platéia foi o diretor bacante de teatro grande de São Paulo, com sua trupe em turnê pelo Brasil e há duas semanas em Recife. Olinda mágica sempre trouxe os momentos de união artística fantástica com a estética punk igualitária. Os músicos não se deslumbraram, todos estavam compostos. A trupe de teatro foi embora pela metade, e ficou a banda da trupe para trocar, tocar, dividir palco, fazer música. O amigo próximo a olhou com olhos baixos e disse que se 'orgulhava da sua postura, da sua voz e presença agregadora, da sua falta de deslumbre de mulher linda e forte que puxava muitos para ficar perto por muito tempo'. Emma teve o show roubado por muitos outros, mal cantou. Não se abalou e foi namorar, beijar o seu moreno, deixando a briga para quem queria e orgulhosa de ter uma nova amiga 'linda' que a entendia na levada pirada do jazz bêbado que ela sabia que podia fazer de maneira nata. Segura, despreendida, viajante, apaixonada e musical como as reais cantoras devem ser.
Tuesday, 6 July 2010
'Meu Amor... Eu Acho Que Entendi A História, Eu A Li Toda...'
'... mas custa entender que você se envolveu com um babaca?', falou o novo sábio, ao lado dela. Ela parou e chorou. Chorou e chorou, e chorou mais e continuou a escrever com ele como testemunha, ao seu lado... 'Fica, olha...Escreve comigo, me dá um beijo e escreve...'.Doía dar e nada receber, somente fel. Ela amava e tinha vergonha. 'Vamos embora daqui, vamos para sempre, vem comigo?', ela pediu. Ele leu a frase no computador, ao seu lado, e disse que iria até onde desse. Ela chorou mais ainda. De falta antecipada. 'Eu amo você! E você tem que se amar, linda, independente de todos! Isso não é novidade! Mesmo que eu te deixe', e ela chorava. 'Não me deixa, eu preciso de você!', admitiu. Ele a beijou, e a deixou escrever.... Na verdade, ele não confiava ainda... era muito pouco tempo... Todos iam embora. Babacas.............................. Ao ler isso, ele a pegou pelo braço, disse um 'assim, não!' e provou que a pegava com ardor corredor adentro..............
Foi Castigo!
para o repentista do Marco Zero...
Foi água oxigenada no olho. Tirou a visão. Foi falta de atenção. Arrependimento não traria contento, solução. Foi castigo. Pra quê fez isso comigo? Extendeu a mão, deu um encalce para pular do precipício. Castigo. Só podia ser isso. Estava prometido aquele fracasso. E tudo bem, silêncio eu faço. É assim. Tem jeito, não. Se dá-se a regalia, nego vem, pisa, judia. É melhor não dar a mão. Foi castigo. Não sei se novo ou antigo, mas paguei com exatidão, ansiosa para largar a mão. Gritei que tinha dinheiro. Gritei! E paguei logo para me livrar. Livramento foi. Eu nem devo, não sou culpado, tiro a minha conclusão. Foi castigo. De uma encruzilhada fêmea, e nem mesmo valeu a pena. Nego, fecho, não dou perdão a nenhuma falta de mão. Nem adianta amizade, isso tudo é bobagem, coisa dos com cú na mão. Amigo é outra coisa comigo, não alisa o cabelo para dar um nó na mão e arrastar pelo chão. Teve saldo negativo, conta feia, muito zero, energia de ludibriação. Castigo. Profunda vergonha, nem teve assim tanta manha, foi pura exposição para verem que é viril. Admito: nem admiro, não acho original, é uma cópia barata, não levou à evolução. Erro sem aprendizado, texto maçante, conto mal contado, imitado, sem orgulho de feição. Nó trançado na soberba, moralismo de palavra bêbada, cheirada, para agradar aos que esperam devoção. Tudo bem, não tem controle, então, guie essa charanga para outro lugar, vaidoso, índole podre disfarçada de boa intenção, querendo ser percursor do teatroverdade, desdenhando os 'coitadosquehorror!' que o procuram para um aprendizado, planejando churrasco por dois meses para ganhar uma nordestina, enquanto treina com outra, e ter um contrato novo em mãos, mesmo nem acreditando no talento de uma mulher mais poderosa porém 'não pronta e entregue à bebida'. Foi castigo. Frágil para pedir dias de abrigo. Forte para dar um grande sumiço. Não merece atenção. É esquecível, e vai lembrar de tudo um dia quando estiver completamente só. Com humildade, eu desejo que tenha em dobro tudo o que me deu.
Foi água oxigenada no olho. Tirou a visão. Foi falta de atenção. Arrependimento não traria contento, solução. Foi castigo. Pra quê fez isso comigo? Extendeu a mão, deu um encalce para pular do precipício. Castigo. Só podia ser isso. Estava prometido aquele fracasso. E tudo bem, silêncio eu faço. É assim. Tem jeito, não. Se dá-se a regalia, nego vem, pisa, judia. É melhor não dar a mão. Foi castigo. Não sei se novo ou antigo, mas paguei com exatidão, ansiosa para largar a mão. Gritei que tinha dinheiro. Gritei! E paguei logo para me livrar. Livramento foi. Eu nem devo, não sou culpado, tiro a minha conclusão. Foi castigo. De uma encruzilhada fêmea, e nem mesmo valeu a pena. Nego, fecho, não dou perdão a nenhuma falta de mão. Nem adianta amizade, isso tudo é bobagem, coisa dos com cú na mão. Amigo é outra coisa comigo, não alisa o cabelo para dar um nó na mão e arrastar pelo chão. Teve saldo negativo, conta feia, muito zero, energia de ludibriação. Castigo. Profunda vergonha, nem teve assim tanta manha, foi pura exposição para verem que é viril. Admito: nem admiro, não acho original, é uma cópia barata, não levou à evolução. Erro sem aprendizado, texto maçante, conto mal contado, imitado, sem orgulho de feição. Nó trançado na soberba, moralismo de palavra bêbada, cheirada, para agradar aos que esperam devoção. Tudo bem, não tem controle, então, guie essa charanga para outro lugar, vaidoso, índole podre disfarçada de boa intenção, querendo ser percursor do teatroverdade, desdenhando os 'coitadosquehorror!' que o procuram para um aprendizado, planejando churrasco por dois meses para ganhar uma nordestina, enquanto treina com outra, e ter um contrato novo em mãos, mesmo nem acreditando no talento de uma mulher mais poderosa porém 'não pronta e entregue à bebida'. Foi castigo. Frágil para pedir dias de abrigo. Forte para dar um grande sumiço. Não merece atenção. É esquecível, e vai lembrar de tudo um dia quando estiver completamente só. Com humildade, eu desejo que tenha em dobro tudo o que me deu.
Prece Do Livramento
Obrigada, Senhor, pela lição
Obrigada, Senhor Todo Poderoso, que és
Por ser o mais leviano deste ano e usar minhas histórias contra mim mesma
Obrigada por sair carregando pelas mãos junto ao teu peito tuas armadas protetoras pesadas
Obrigada pela jusficativa tardia da falta de esperma
Obrigada por me deixar a cidade mágica intacta sem as suas pegadas
Obrigada por me dar um fracasso de relacionamento transponível no início da volta
Obrigada por visivelmente não entrar na dança
Por nem saber dançar
Por odiar a música
Por amar e dedicar-se à sua dependência química, emocional e financeira
Por ser superior e inventar todas as minhas mais desprezadas mortes
Obrigada pelas irresponsabilidades e pelo moralismo
Pela difamação pessoal e por destratar a dedicação
Pela mentira insistente do 'abandonar tudo por você' e pela falta de memória logo em seguida
Por mentir para ela que estava 'no trânsito'
Pela mesquinhez do último telefonema para pedir o pijama que fazia muita falta
Obrigada por provar sua incompetência em ser algo melhor
Pela covardia ao fugir do 'jogo' que você mesmo esquematizou para ir ao hospital que cura viroses de mentira
Por não mais acordar minha vizinha com o interfone da minha parede entre as duas e cinco da manhã
Por, enfim, deixar o andar inteiro dormir
Obrigada por não me aceitar em nenhuma maquiavélica, inventada e bêbada 'audição'
Por chamar a mais diplomada e qualificada, burocrática, infantil, sem sensibilidade de primeira impressão, menos convencível e incapaz de improviso para trabalhar com você
Por não abrir a porta do seu larcenário para mim
Por não conseguir reproduzir os textos
Obrigada por me fazer remodelar a minha casa
Por me levar e mostrar como bom exemplo que a sábia dona do seu antigo ninho e obtentora da sua primeira traição não te olha nem nos olhos
Por maldizer o 'barraco da puta de quinta'
Pelo desdém à mera 'menina nordestina xinfrim problemática que quer somente ser o centro das atenções' mostrando o respeito que a sua grandeza merece
Obrigada por não me associar fisicamente a você socialmente
Por não ter nome e não conhecer os meus
Por ir à lanchonete às escondidas e falar para outros que estava apaixonado mais que não abandonaria sua mulher dependente de você
Por me fazer ter assinada, documentada e por escrito a sua insistente e lembrável pequenez
Pela falta de crédito, por me expor a muitos que você morre de medo que saibam do seu tratamento vil
Obrigada por fechar a porta com as próprias mãos sabendo que não voltará a entrar
Por levar todo o ódio que te cerca e te consome com você
E livrar-me assim de todo o mal
Amém
Obrigada, Senhor Todo Poderoso, que és
Por ser o mais leviano deste ano e usar minhas histórias contra mim mesma
Obrigada por sair carregando pelas mãos junto ao teu peito tuas armadas protetoras pesadas
Obrigada pela jusficativa tardia da falta de esperma
Obrigada por me deixar a cidade mágica intacta sem as suas pegadas
Obrigada por me dar um fracasso de relacionamento transponível no início da volta
Obrigada por visivelmente não entrar na dança
Por nem saber dançar
Por odiar a música
Por amar e dedicar-se à sua dependência química, emocional e financeira
Por ser superior e inventar todas as minhas mais desprezadas mortes
Obrigada pelas irresponsabilidades e pelo moralismo
Pela difamação pessoal e por destratar a dedicação
Pela mentira insistente do 'abandonar tudo por você' e pela falta de memória logo em seguida
Por mentir para ela que estava 'no trânsito'
Pela mesquinhez do último telefonema para pedir o pijama que fazia muita falta
Obrigada por provar sua incompetência em ser algo melhor
Pela covardia ao fugir do 'jogo' que você mesmo esquematizou para ir ao hospital que cura viroses de mentira
Por não mais acordar minha vizinha com o interfone da minha parede entre as duas e cinco da manhã
Por, enfim, deixar o andar inteiro dormir
Obrigada por não me aceitar em nenhuma maquiavélica, inventada e bêbada 'audição'
Por chamar a mais diplomada e qualificada, burocrática, infantil, sem sensibilidade de primeira impressão, menos convencível e incapaz de improviso para trabalhar com você
Por não abrir a porta do seu larcenário para mim
Por não conseguir reproduzir os textos
Obrigada por me fazer remodelar a minha casa
Por me levar e mostrar como bom exemplo que a sábia dona do seu antigo ninho e obtentora da sua primeira traição não te olha nem nos olhos
Por maldizer o 'barraco da puta de quinta'
Pelo desdém à mera 'menina nordestina xinfrim problemática que quer somente ser o centro das atenções' mostrando o respeito que a sua grandeza merece
Obrigada por não me associar fisicamente a você socialmente
Por não ter nome e não conhecer os meus
Por ir à lanchonete às escondidas e falar para outros que estava apaixonado mais que não abandonaria sua mulher dependente de você
Por me fazer ter assinada, documentada e por escrito a sua insistente e lembrável pequenez
Pela falta de crédito, por me expor a muitos que você morre de medo que saibam do seu tratamento vil
Obrigada por fechar a porta com as próprias mãos sabendo que não voltará a entrar
Por levar todo o ódio que te cerca e te consome com você
E livrar-me assim de todo o mal
Amém
Sentada, Olhou Aquele Copo De Plástico Branco
Entre as mãos e soltou um 'é isso!'. A esquina da João Moura com a Teodoro Sampaio, com o misto do seu alvoroço residencial e comercial de um sábado de sol, foi o cenário perfeito para a reflexão. Tudo movia-se ao seu redor e ao redor do copo de plástico branco. Os instrumentos musicais estavam ali perto, prestes a serem vendidos na rua agitada concorriam uns com os outros ao fundo tocando cada vez mais alto, mostrando os seus valores de arte, de decibéis, loucos por um lar. O som não era música, era barulho. Música seria se aqueles instrumentos tivessem um dono, o dono a faria com eles. A união de dois para criar ou a beleza lenta, a harmoniosa, ou a beleza tensa de música. Sozinhos, os instrumentos não tinham função ainda, eram apenas pele, plástico, madeira, aço e metal. Estavam ao Deus dará, livres e recém-chegados ao local de passagem, como ela segurando aquele copo descartável, também novo, recém-chegado à sua mão após alguns goles de água. Existiam vários copos descartáveis em seus caminhos. Destruídos, eles poluiriam apenas o ambiente. Com certeza, seriam reciclados. Por outra pessoa, e voltariam a ser descartáveis. E, existiam os copos de vidro. Espatifavam com barulho, difíceis de limpar, deixavam resquícios, farpas, e também seriam levados embora pelo caminhão do lixo reciclável. Ou não. A dor seria a de perder um copo de cristal. O de grande investimento, com o sacrifício que foi para obter um. Leva-se tempo para ter um copo de cristal, e quando ele chega, se o perdemos a dor é imensa. Ela olhou aquele copo plástico e o amassou, e continuou segurando-o por alguns quarteirões e andando rumo ao metrô. O relógio de corda antigo 17 rubis no pulso direito funcionava bem e tinha sobrevivido ao tempo, não era descartável e dava a hora certa há anos. Eram 16h46 e o copo plástico ainda estava em mão. Ele tinha servido para saciar a sede temporária e tinha que ir para a lixeira. E parecia tão injusto jogá-lo fora. E se ele quisesse ser de vidro, transmutar para o cristal. Não poderia. A natureza era de plástico, ele chegou às mãos dela com essa forma, essa função, a escolha foi dele. Ele poderia ter sido jogado no lixo na tomada de um gole em outra rua do passado, ter sido reciclado, voltado e ainda assim seria de plástico. E, finalmente, concluiu o pensamento na boca da estação Clínicas. A boa união dos instrumentos musicais e seus donos, e um sem o outro que não seriam música. O relógio da corda mais simplória e antiga era a palavra de lealdade e compromisso a qualquer hora. E o copo de plástico branco foi jogado fora na cesta plástica cinza de lixo. Ele já saciou a sede e teve que ir embora. Branco, turvo e plástico. E sentou naquele assento marrom do vagão pensando em um copo de cristal bonito e transparente que seria segurado entre as suas duas mãos seguras e não mais trêmulas o qual usaria e cuidaria furiosamente para que sempre estivesse ali a matar qualquer uma de suas sedes. Um copo bonito, transparente e imensamente bem cuidado.
'Não Vai Rolar Maragogi!'
Ouviu com tristeza. Barreiros, cidade transitória entre os estados, tinha ido abaixo e os burros mortos chegavam pela corrente marítima até em Pernambuco. Vitória do Santo Antão e Palmares do lado de cá ficaram sem cartório público. Todos sem registro de nascimento, união, propriedades. Zero. Pensando assim, ir à Maragogi, apesar de triste, parecia pouco. Em toda esquina da cidade das pontes havia um posto de coleta de alimentos. Tanta gente na rua, ninguém querendo uma gota de chuva, todos fazendo a dança do sol. Saiu ligando para todos os números que tinha e junto com o amante fez uma ronda noturna para a coleta geral de alimentos e roupas velhas. A sede geral de arrecadação agradeceu a entrega normalmente, não era muito, era realmente o mínimo a fazer. E, por dias, ficou a tristeza de não poder chegar a Maragogi, de não se entregar ao seu mar naqueles dias lindos de sol causticante. Tristeza suando sob o sol era um sentimento muito familiar de adolescência. Na idade adulta torna-se um sentimento suportável. A única diferença é que não há mar para refrescar o suor. Falta a linda Maragogi.
Monday, 5 July 2010
Olep Osseva
Euq adrem! Ama olep osseva e edirga... Arp euq ossi? Mu ocuop olucidir, oãn? Airedop racif odalac, rimussa a oãssimo, a atlaf ed otnemitemorpmoc, ed oãça. O euq ue ossop rezaf rop êcov? Êcov reuq omsem amu agimini? Atieridne o ue et oma! Acram aut açneserp arap meuq sahca euq ecerem otnat. Aduja meuq satiderca, ue áj itsised ed ritsisni an etneg, ed rereuq aut oãçneta, uet roma. Ecov uohnag e ue ieres rohlem moc sortuo, men sarev. Sam, rop rovaf? On orutuf, atieridne o eut ue et oma! Áj uogep o ohlepse euq ue et ied? Agep...
'Vamos Ser Felizes? Eu Te Digo De Verdade!'
'Vamos', ele aceitou. Teriam pouco mais de meio mês para tentarem a felicidade próxima. Depois, ela como aventureira que era, iria embora. Ele não se importou, ficaria mas não era dado a bobagens de dar negativas à felicidade. Aceitou. E começaram a ver-se com frequência, falar com vontadedoquisligarporquêsematuavoztámuitochatoporaqui, e não citavam o amor. Citavam a felicidade apenas. Importava o presente, porquê eles sabiam que o futuro deles poderia incluir uma segunda pessoa, uma pessoa de intenção verdadeira. Não tinham cartas na manga, já tinham suas ambições formadas e nenhum dos dois era indispensável às mesmas. Eram seres flexíveis, aceitavam as suas diferenças, exaltavam as suas similariedades. Pegaram a todos de surpresa com tanto carinho explícito que gritavam de longe um 'olha, os dois estão namorando!'. Não era um apenasseconhecendomerdaetaltentandoversedácerto, era pra valer, sem frescuras. Ela no seu extremo de felicidade, falando baixo, quietacalmavouficaraquicomvocêatévocêmorrermeuamor. Ele no seu extremo de atenção, dedicadofinalmentealguémlegalchegouparamedaralgumamor. Fizeram um pacto de não se ofender, de não mentir, de não falar qualquer coisa para agradarem-se, de tratarem-se bem acima de tudo ou calar se não tivessem algo bom o que falar. Conheciam os defeitos um do outro e mesmo assim disseram aquele 'trata-me bem que eu não vou embora da sua vida!'. Não conseguiam tirar a mão um do outro e ficavam calmos quando estavam próximos. Se um dos dois fosse ao banheiro sequer a inquietação imperava, ficava a mão vazia querendo a outra. Não havia nenhuma crise ao redor deles, e os dois mereciam aquele sossego de paz após tantos desencontros. Somente confiança na felicidade presente e que o futuro viesse se tivesse que vir.
Sunday, 4 July 2010
'Desacelera, Minha Flor, Desacelera Um Pouco...'
para Lea...
Dizia aquela nova voz já com as mãos ágeis acariciando os pêlos dos braços dela. Soprava o pescoço fino que ela tinha com atenção enquanto continuava o carinho crescente e ascendente em seu corpo. Ela suava em um misto de nervosismo, uísque e calor e ele perguntou se ela queria água. Ao 'sim', ele levantou em direção à sua cozinha americana do décimo terceiro andar e providenciou a bebida. Ela tirou os sapatos e aconchegou-se no sofá dele como se lhe pertencesse, como se fosse familiar aquele lugar. E já tinha sido. Ela lembrava de cada detalhe daquele apartamento, do problema inicial com a escritura do imóvel, da festa comemorativa da nova moradia e do tempo que já tinham passado lá juntos. Ele voltou com o copo de água na mão e uma garrafa inteira por garantia de aconchego e a beijou segurando-a pela nuca como sabia que ela gostava. O beijo moreno dele continuava generoso, entregue, farto e na medida. Com intimidade, ele desabotou dois botões da camisa de pano dela e com a mão blusa e sutiã adentro agarrou o seu seio esquerdo como se pega a teta de uma vaca. Mas, foi carinhoso com o mamilo falando com os lábios colados aos dela que 'estava ali inteiro'. Ela acreditou. E foram juntos levados na continuação de um beijo que evoluiu para os vários carinhos corporais e para que ficassem nus ali mesmo, naquele sofá duplo. Ela sugeriu o banho que eles tinham como ritual, onde acariciavam-se como se conhecendo cada detalhe um do outro, sem inibição alguma, quando se cuidavam e perguntavam o que tinha acontecido com cada imperfeição alheia e nova que fosse achada. Passaram do banho à cama com a familiariedade que tanto lhes cabia e lá ele engatou seus dois dedos entre o clitóris dela até que ela chorasse. Ele sempre soube fazer muito bem aquilo, sua especialidade no corpo dela. O que se seguiria era a penetração nas posições que ela mais gostasse.. De quatro, de lado, por cima... O foco era ela. 'Eu quero você feliz aqui hoje! Desse lugar você só sai bem tratada', falou ele enquanto a tinha arfando de olhos serrados bêbada de um gozo que chegou no minuto seguinte. Ela o acompanhou no seu prazer com afinco, ainda sob o tilintar daquele pau que podia agora, até sem esforço, fazê-la embebedar-se de 'aahhhhh's mais vezes. Abraçaram-se sem pudor e ele a cobriu fazendo questão de ficar ao seu lado até a próxima manhã ainda sem entender 'porquê você demora tanto para voltar para mim?'. Repetiriam tudo novamente no primeiro raiar do sol, olhando aquela vista do Capibaribe e tendo como testemunhas os pássaros da cidade.
Dizia aquela nova voz já com as mãos ágeis acariciando os pêlos dos braços dela. Soprava o pescoço fino que ela tinha com atenção enquanto continuava o carinho crescente e ascendente em seu corpo. Ela suava em um misto de nervosismo, uísque e calor e ele perguntou se ela queria água. Ao 'sim', ele levantou em direção à sua cozinha americana do décimo terceiro andar e providenciou a bebida. Ela tirou os sapatos e aconchegou-se no sofá dele como se lhe pertencesse, como se fosse familiar aquele lugar. E já tinha sido. Ela lembrava de cada detalhe daquele apartamento, do problema inicial com a escritura do imóvel, da festa comemorativa da nova moradia e do tempo que já tinham passado lá juntos. Ele voltou com o copo de água na mão e uma garrafa inteira por garantia de aconchego e a beijou segurando-a pela nuca como sabia que ela gostava. O beijo moreno dele continuava generoso, entregue, farto e na medida. Com intimidade, ele desabotou dois botões da camisa de pano dela e com a mão blusa e sutiã adentro agarrou o seu seio esquerdo como se pega a teta de uma vaca. Mas, foi carinhoso com o mamilo falando com os lábios colados aos dela que 'estava ali inteiro'. Ela acreditou. E foram juntos levados na continuação de um beijo que evoluiu para os vários carinhos corporais e para que ficassem nus ali mesmo, naquele sofá duplo. Ela sugeriu o banho que eles tinham como ritual, onde acariciavam-se como se conhecendo cada detalhe um do outro, sem inibição alguma, quando se cuidavam e perguntavam o que tinha acontecido com cada imperfeição alheia e nova que fosse achada. Passaram do banho à cama com a familiariedade que tanto lhes cabia e lá ele engatou seus dois dedos entre o clitóris dela até que ela chorasse. Ele sempre soube fazer muito bem aquilo, sua especialidade no corpo dela. O que se seguiria era a penetração nas posições que ela mais gostasse.. De quatro, de lado, por cima... O foco era ela. 'Eu quero você feliz aqui hoje! Desse lugar você só sai bem tratada', falou ele enquanto a tinha arfando de olhos serrados bêbada de um gozo que chegou no minuto seguinte. Ela o acompanhou no seu prazer com afinco, ainda sob o tilintar daquele pau que podia agora, até sem esforço, fazê-la embebedar-se de 'aahhhhh's mais vezes. Abraçaram-se sem pudor e ele a cobriu fazendo questão de ficar ao seu lado até a próxima manhã ainda sem entender 'porquê você demora tanto para voltar para mim?'. Repetiriam tudo novamente no primeiro raiar do sol, olhando aquela vista do Capibaribe e tendo como testemunhas os pássaros da cidade.
Levantou Assustado Da Cama E Correu Para O Livro De Cabeceira
para Lee...
Pedia, com um livro em uma mão e a chaleira do café em outra tremendo de falta, ajuda encarecida ao Fernando.'São Fernando, por favor, dá uma força com essa dor!' e devorou dez páginas dele, páginas nervosas, enquanto aquela água não levantou a sua fervura. Nenhum alento em nenhuma palavra e repousou o encadernado. Quando da ebulição, levantou novamente, agora do banco da mesa da cozinha, e respirou enquanto o café coava. 'Esse café não coa... essa merda deve estar entupida'. Não era nada de entupimento nenhum. Era somente impaciência, falta, desassossego mesmo. O café levava uma eternidade e pensava ao mesmo tempo na trilha sonora que devia entregar no dia seguinte. Bebericou o café pensando o 'falta um dia, falta um dia... eu preciso me acalmar, eu preciso ligar para ela, ela me acalma...'. Mas, quem era ela? Ela era aquela que passava a mão no seu peito e dizia 'desacelera, meu amor. desacelera...'. E qual era o telefone dela, onde morava, onde estava? Tinha sumido naquele silêncio. E pensou na trilha incompleta, na gravação, na masterização. E sobretudo pensou no seu orgulho ao dizer que iria sempre atrás dela quando lhe conviesse, contudo, não precisava dela. Naquela manhã desesperada notou que o seu orgulho pequeno era de uma idiotice infinita. Quis moldar quem o confortava e sem o feito conseguido preferiu desprezar dizendo que não precisava daquela. 'Puta que pariu, que merda'... Decidiu tomar um banho frio e ao final notou que apenas a temperatura externa do seu corpo havia melhorado. A mente fervia ainda, com uma falta de ar pronto a ser sugado e expelido com um choro que ficou preso como catarro verde, guardado por muito tempo no peito. Fervia pensando no tesão que ela sentia por ele e que tinha jogado algo bom fora, alguém que o queria. Sentou ao piano e tentou passear pelas notas, pelos acordes, brincou de idéias musicais. Nada. E faltava um dia. E só pensava nela, louco para que ela batesse na sua porta para pegar aquele vestido caseiro que ela deixou na gaveta. Sabia que ela não se importaria com um mero vestido, ela nunca voltaria por um vestido somente, ela compraria outro. Só voltaria por um motivo dela e muito maior. E queria ainda exatamente a desculpa do vestido para ver aquele rosto na entrada da sua casa. Planejou xingá-la o mais alto possível pela ausência. Como ela ousou ficar longe, esquecê-lo, quem era aquela qualquer? Todos os vizinhos iriam escutar a humilhação. Ao mesmo tempo pensou que naquele dia, para ele que queria desacelerar, ela era tudo e a abraçaria logo em seguida pedindo com um 'fica?' manso ao lóbulo da orelha, baixo e sincero. Ela poderia ficar como quisesse e pudesse ficar. E começou a lacrimejar notando que ela tinha algum poder sobre ele. Recompôs-se, tentou ter dignidade diante da lágrima. Melhor seria dizer que ela poderia ficar e quando ela aceitasse voltaria a dar uma pequena lição de moral, retrairia um pouco, ia dizer que estava magoado e ela o tinha feito sofrer, que ficou muito mal... Repensou. Não, não, seria o orgulho novamente. Se ela tinha voltado à sua porta é porquê ela o amava. Após a aceitação dela ao seu pedido de retorno, somente agarraria e prensaria aquela boca contra a sua, e ficaria ali até cansar de sentir aquele corpo que o fazia tremer de tanta falta. Parou, respirou fundo. Passou a mão entre os cabelos.... Sentiu o gosto cítrico daquele desespero, preste à insanidade. Passou a mão no telefone sem fio sem hesitar e ligou para a amiga dela. 'Alô, Gabriela? Não, não... Não liguei atrás dela, não... Liguei para pedir um favor a você. Você vai entender quando o ouvir porquê me custa muito dizer... Gabriela, por favor, diz a ela que eu preciso dela. Diz isso exatamente, e que eu amo muito e que quando ela quiser e resolver voltar, eu agarro ela de volta do jeito que ela quiser. Você me conhece um pouco... Fala isso para ela pelo menos? Promete? Vai falar a que horas? Então, a partir das 13h30 você já tem isso tudo dito, né? Tudo bem, tudo bem, vou confiar. Obrigada, Gabriela. Vou desligar, tentar me acalmar. Obrigada. Tchau!'. Pôs o telefone no gancho e começou a andar em círculos, pensou que tinha que se conformar. Teclou a nota dó, repetidamente. Nada. Voltou ao quarto, fechou as cortinas e tentou dormir mais algumas horas. Esperava que o desespero passasse de olhos fechados. Respirando...
Pedia, com um livro em uma mão e a chaleira do café em outra tremendo de falta, ajuda encarecida ao Fernando.'São Fernando, por favor, dá uma força com essa dor!' e devorou dez páginas dele, páginas nervosas, enquanto aquela água não levantou a sua fervura. Nenhum alento em nenhuma palavra e repousou o encadernado. Quando da ebulição, levantou novamente, agora do banco da mesa da cozinha, e respirou enquanto o café coava. 'Esse café não coa... essa merda deve estar entupida'. Não era nada de entupimento nenhum. Era somente impaciência, falta, desassossego mesmo. O café levava uma eternidade e pensava ao mesmo tempo na trilha sonora que devia entregar no dia seguinte. Bebericou o café pensando o 'falta um dia, falta um dia... eu preciso me acalmar, eu preciso ligar para ela, ela me acalma...'. Mas, quem era ela? Ela era aquela que passava a mão no seu peito e dizia 'desacelera, meu amor. desacelera...'. E qual era o telefone dela, onde morava, onde estava? Tinha sumido naquele silêncio. E pensou na trilha incompleta, na gravação, na masterização. E sobretudo pensou no seu orgulho ao dizer que iria sempre atrás dela quando lhe conviesse, contudo, não precisava dela. Naquela manhã desesperada notou que o seu orgulho pequeno era de uma idiotice infinita. Quis moldar quem o confortava e sem o feito conseguido preferiu desprezar dizendo que não precisava daquela. 'Puta que pariu, que merda'... Decidiu tomar um banho frio e ao final notou que apenas a temperatura externa do seu corpo havia melhorado. A mente fervia ainda, com uma falta de ar pronto a ser sugado e expelido com um choro que ficou preso como catarro verde, guardado por muito tempo no peito. Fervia pensando no tesão que ela sentia por ele e que tinha jogado algo bom fora, alguém que o queria. Sentou ao piano e tentou passear pelas notas, pelos acordes, brincou de idéias musicais. Nada. E faltava um dia. E só pensava nela, louco para que ela batesse na sua porta para pegar aquele vestido caseiro que ela deixou na gaveta. Sabia que ela não se importaria com um mero vestido, ela nunca voltaria por um vestido somente, ela compraria outro. Só voltaria por um motivo dela e muito maior. E queria ainda exatamente a desculpa do vestido para ver aquele rosto na entrada da sua casa. Planejou xingá-la o mais alto possível pela ausência. Como ela ousou ficar longe, esquecê-lo, quem era aquela qualquer? Todos os vizinhos iriam escutar a humilhação. Ao mesmo tempo pensou que naquele dia, para ele que queria desacelerar, ela era tudo e a abraçaria logo em seguida pedindo com um 'fica?' manso ao lóbulo da orelha, baixo e sincero. Ela poderia ficar como quisesse e pudesse ficar. E começou a lacrimejar notando que ela tinha algum poder sobre ele. Recompôs-se, tentou ter dignidade diante da lágrima. Melhor seria dizer que ela poderia ficar e quando ela aceitasse voltaria a dar uma pequena lição de moral, retrairia um pouco, ia dizer que estava magoado e ela o tinha feito sofrer, que ficou muito mal... Repensou. Não, não, seria o orgulho novamente. Se ela tinha voltado à sua porta é porquê ela o amava. Após a aceitação dela ao seu pedido de retorno, somente agarraria e prensaria aquela boca contra a sua, e ficaria ali até cansar de sentir aquele corpo que o fazia tremer de tanta falta. Parou, respirou fundo. Passou a mão entre os cabelos.... Sentiu o gosto cítrico daquele desespero, preste à insanidade. Passou a mão no telefone sem fio sem hesitar e ligou para a amiga dela. 'Alô, Gabriela? Não, não... Não liguei atrás dela, não... Liguei para pedir um favor a você. Você vai entender quando o ouvir porquê me custa muito dizer... Gabriela, por favor, diz a ela que eu preciso dela. Diz isso exatamente, e que eu amo muito e que quando ela quiser e resolver voltar, eu agarro ela de volta do jeito que ela quiser. Você me conhece um pouco... Fala isso para ela pelo menos? Promete? Vai falar a que horas? Então, a partir das 13h30 você já tem isso tudo dito, né? Tudo bem, tudo bem, vou confiar. Obrigada, Gabriela. Vou desligar, tentar me acalmar. Obrigada. Tchau!'. Pôs o telefone no gancho e começou a andar em círculos, pensou que tinha que se conformar. Teclou a nota dó, repetidamente. Nada. Voltou ao quarto, fechou as cortinas e tentou dormir mais algumas horas. Esperava que o desespero passasse de olhos fechados. Respirando...
Elas Vieram Do Mesmo Lugar
para Sarah...
E viram muitos outros lugares em suas vidas. Antes, eram duas meninas da mesma classe escolar, com pais amigos em comum, com as suas respectivas mães, uma psicóloga e outra sexóloga que compartiam confidências femininas, e elas meninas trocavam papéis de carta ou pulavam elástico como amigas fraternas. Uma amizade infantil que era extensão de uma amizade adulta que, talvez, não lhes pertencesse. Cresceram, trocaram de classe, de escola, de bairro, afastaram-se. Por muitos anos, os caminhos opostos apresentavam-se porta afora, e elas seguiam, nunca hesitaram. A herança dos pais e do local de origem era o despreendimento da liberdade, da ida. Depois, encontraram-se por acaso em uma reunião proposta por uma amiga em comum, uma surpresa de reencontro e viam-se como duas que um dia foram tão amigas que pensavam como uma. A amiga mais alta estava separando-se do seu segundo marido, o cineasta italiano, e fazia um curso de culinária na cidade São Paulo do tal encontro, era uma empresária que tinha morado alguns anos na Itália, planejava suas novas outras sociedades enquanto a profissão de atriz não recomeçava. A amiga mais baixa já tinha separado-se do marido inglês músico há muito tempo e vivia sozinha na cidade São Paulo do tal encontro, era uma jornalista que tinha morado uma década na Inglaterra e que escrevia textos, músicas, cartas de amor aos seus amantes e amigos enquanto as várias profissões inacabadas não recomeçavam. O momento de parada das duas conterrâneas foi o momento da intersecção naquela cidade. A mais alta tinha uma inveja da liberdade da mais baixa. A mais baixa sentia o mesmo pelas sociedades da mais alta. Ironicamente, somente reconheceram-se em meio ao grupo de reunião da terceita amiga por usarem o mesmo óculos de sol. Nem podiam discutir que tinham o mesmo gosto, o mesmo passado, a mesma trajetória por linhas e países tortos. O óculos de sol calava qualquer desavença. A mais baixa propôs uma redescoberta pessoal na cozinha do local de encontro, oferecendo um drink em mãos e perguntando um 'quem é você? nós nos conhecemos?'. O riso da mais alta foi interrompido pela lembrança súbita de que quando crianças, elas serviam-se drinks dentro da casa armada de pano e fingiam as mais absurdas situações brincando de serem outras mulheres, e entrou na brincadeira. Respondeu em sotaque lusitano um 'não, senhora! muito obrigada pela bebida.. desculpinha, mas como é o vosso nome?'. E assim brincaram sozinhas, deixando as terceiras pessoas que comentavam próximas o teor da prosa como um absurdo novo já que não iriam entrar naquela conversa lépida, rápida, súbita, criativa e fagueira de duas que preencheu tão bem o sentimento de saudade por tantos anos vazios e sem aquela antiga troca.
E viram muitos outros lugares em suas vidas. Antes, eram duas meninas da mesma classe escolar, com pais amigos em comum, com as suas respectivas mães, uma psicóloga e outra sexóloga que compartiam confidências femininas, e elas meninas trocavam papéis de carta ou pulavam elástico como amigas fraternas. Uma amizade infantil que era extensão de uma amizade adulta que, talvez, não lhes pertencesse. Cresceram, trocaram de classe, de escola, de bairro, afastaram-se. Por muitos anos, os caminhos opostos apresentavam-se porta afora, e elas seguiam, nunca hesitaram. A herança dos pais e do local de origem era o despreendimento da liberdade, da ida. Depois, encontraram-se por acaso em uma reunião proposta por uma amiga em comum, uma surpresa de reencontro e viam-se como duas que um dia foram tão amigas que pensavam como uma. A amiga mais alta estava separando-se do seu segundo marido, o cineasta italiano, e fazia um curso de culinária na cidade São Paulo do tal encontro, era uma empresária que tinha morado alguns anos na Itália, planejava suas novas outras sociedades enquanto a profissão de atriz não recomeçava. A amiga mais baixa já tinha separado-se do marido inglês músico há muito tempo e vivia sozinha na cidade São Paulo do tal encontro, era uma jornalista que tinha morado uma década na Inglaterra e que escrevia textos, músicas, cartas de amor aos seus amantes e amigos enquanto as várias profissões inacabadas não recomeçavam. O momento de parada das duas conterrâneas foi o momento da intersecção naquela cidade. A mais alta tinha uma inveja da liberdade da mais baixa. A mais baixa sentia o mesmo pelas sociedades da mais alta. Ironicamente, somente reconheceram-se em meio ao grupo de reunião da terceita amiga por usarem o mesmo óculos de sol. Nem podiam discutir que tinham o mesmo gosto, o mesmo passado, a mesma trajetória por linhas e países tortos. O óculos de sol calava qualquer desavença. A mais baixa propôs uma redescoberta pessoal na cozinha do local de encontro, oferecendo um drink em mãos e perguntando um 'quem é você? nós nos conhecemos?'. O riso da mais alta foi interrompido pela lembrança súbita de que quando crianças, elas serviam-se drinks dentro da casa armada de pano e fingiam as mais absurdas situações brincando de serem outras mulheres, e entrou na brincadeira. Respondeu em sotaque lusitano um 'não, senhora! muito obrigada pela bebida.. desculpinha, mas como é o vosso nome?'. E assim brincaram sozinhas, deixando as terceiras pessoas que comentavam próximas o teor da prosa como um absurdo novo já que não iriam entrar naquela conversa lépida, rápida, súbita, criativa e fagueira de duas que preencheu tão bem o sentimento de saudade por tantos anos vazios e sem aquela antiga troca.
Saturday, 3 July 2010
Os Outrora Amantes Chegaram Ao Bar
E no alto falante Guilherme Arantes cantava 'Marina no Ar'. Ela vestia um vestido fúcsia com os olhos pintados em gravura de khol preto. Ele usava uma bermuda cor salmão e a camiseta branca lhe dava um ar de liberdade. Juntos, tranquilos, sentaram-se para dividir aquela cerveja e conversavam amenidades sem muitas emoções. Concordavam nos assuntos, estavam na mesma página do livro, e sentados próximos à entrada do banheiro inspiravam o olhar invejoso dos que passavam em direção ao mictório principal. Um casal lindo de se ver, vivo. Ele passava a mão sobre a mão dela quando o olhar distante, vago, de lembranças somente femininas, sentava com os dois naquela mesa. A mão dele estava ali firme para lembrá-la de que ele estaria ao seu lado. Ela voltava a sua atenção ao companheiro de discussões e cama, feliz com aquele carinho. Na real, ela queria comunicá-lo que tinha olhos para outra pessoa, para outro destino e que não era mais suficiente aquela mão, mas os beijos dele faziam-na esquecer qualquer argumento. Amava mais o apoio daquela mão silenciosa do que qualquer rumo de mudança, porém, perguntou-se se a inveja dos outros àquela união não era o que a prendia a ele. A sensação de poder que tinha em ser a parelha do homem lindo de camiseta branca e que entregava-lhe a mão. Será que teria o mesmo poder sendo única, fúcsia e sozinha? Via-se acomodada e cada vez menos admirava-se. O que era essencial, de mais valia, necessário naquele momento? Ser um par seria realisticamente ser um ser inteiro? Quem tinha dito aquilo? E quem repetia tudo isso? Esqueceu o momento de reflexão. Em dupla, ali, recebia amor e compreensão e só o fez retribuir. Era o mínimo a fazer pelo homem lindo, cobiçado. Acabaram a cerveja fraca, voltaram para cama após escovar os dentes no espaço comum aos dois e dormiram. E, em liberdade e hibernando, sonharam cada um o seu sonho mais distinto, colorido, longe e sem o outro. E queriam nunca mais acordar do sonho mais desejado. Nem sequer para o dar das mãos.
A Alquimia
A transmutação dos sentimentos, o enriquecer do fracasso, a observação do simples, tudo, enfim, estava representado naquela tarde e naquele parque. As árvores frutíferas e frondosas todas repletas e fartas, as frutas caídas e podres ainda ao chão, os grilos sem descanso, as penumbras da meia luz já chegando, os corredores, o pipoqueiro de camisa branca e chapéu de sol e as crianças felizes. Todos estavam ali. A vida simples e amorosa do parque em equilíbrio fez o indivíduo querer o parque eternamente em sua mente. Queria a riqueza daquela luz, o calor daquela temperatura, o preencher daquele entorno, a capela protegendo, as árvores dando sombra, a disputada pipoca comprada com centavos que matava a fome, uma bola leve e colorida de plástico e o balão da fantasia em forma de coração para reviver o sorriso. O balanço era a aventura mais concorrida, os pequenos amam a doce aventura do alto e do baixo, o vento ao rosto, o leve frio na barriga sem pés ao chão. Os maiores brincavam com os maiores, os menores com os menores. Alguns maiores tinham a obrigação de irmãos mais velhos e tinham que brincar com outros menores sob a observação de um dito responsável. O lago com os patos e com o único pedalinho inspirava a fila dos que queriam passar 'por cima' dele, navegar por um segundo com patos ao redor, os patos que observavam os seres maiores que os mesmos apenas em tamanho, não em habilidade náutica. A pista de corrida ficava cada vez mais cruel a cada volta que lhe era completa, muitos suavam bicas no esforço do exercício. Quanto mais corriam, mais suavam. Os que escolheram fazer um piquenique liam seus livros com tranquilidade, satisfeitos com o momento de interiorização e paz sobre uma grama verde. O quiosque da água de côco tinha a maior rotatividade com todos os sedentos daquele elixir da vida, daquela água maravilhosa e jovem, queriam ser revigorados. O indivíduo quis somente um parque acolhedor em sua mente. Um parque simples, de aventuras simples como a do mecânico e fluido balanço que deixava os inocentes tão felizes. O parque amoroso, simples e tranquilo que transmutava o fel no mais saboroso algodão doce fazendo a alquimia do pensamento.
A Figurinista, O Cineasta, O Designer, A Cantora, O Baixista, A Artista Plástica E O Auditor Fiscal
Olharam-na de longe e gritaram um 'tá fazendo o quê aí? vem cá, fica junto!'. Obedeceu. A estranha explicou a data de chegada inicial e posterior, o motivo, onde estava, como estava, o que pensava e ficou em silêncio. Um deles disse que 'aquela mulher da porra' já estava no caminho certo quando calou ao final. Justificou com o ditado do dar pérolas aos porcos, e mandou escolher antes de tudo um pescoço mais bonito para enfeitar 'com o seu amor, palavras e luz'. Queria dizer que a inteligência criava muita confusão, aquele item perigoso que contestava mentalmente as vozes afáveis que falavam besteiras. A única diferença estava no tom de voz. Invejou as de burra existência por 17 segundos contados. A figurinista em férias, após o silêncio da estranha, disse que o 'preconceito era foda' e que não adiantava falar muito, era somente perceber e tentar jogar o jogo. Citou a falta de negros nas peças teatrais para as quais fazia o figurino na grande cidade, e junto com a estranha enumerou todos os grupos teatrais daquela cidade que tinham negros em cartaz. O designer perguntou quando ia ver a estranha vestida de empregada doméstica nordestina e todos riram. Ela acenou um 'logo, logo' para a empregada doméstica mais inesquecível já vista e riu lembrando da instrutora espiritual de cinema que a indicaria pela sua combinação de 'franjinha e sotaque'. Tudo no final resumiria-se a isso. Gargalhou alto pensando que tinha que malhar muito para pôr a bunda no lugar e ser uma empregadinha completa. A artista plástica reafirmou o segredo do silêncio com um 'não adianta falar', implorou peloamordedeus que deixasse os tão sábios fazerem o 'melhor' e que ficasse calada fazendo o seu apenas. 'Um dia eles vão vir elogiar a sua cultura', completou. Já estava nessa correnteza de pensamento há algum tempo, o aviso nem era necessário. O auditor fiscal mudou o tom da conversa e pediu a estranha em casamento quando ela citou a lição que tinha aprendido com Spinoza e disse 'repete, por favor, vai?'. Ela repetiu citando que 'as paixões tristes todas estavam ligadas à sensação de poder, e as paixões alegres todas estavam ligadas à sensação de potência'. O auditor estranhou a solidão da estranha e acusou como o dedo em riste que 'tinha alguma coisa errada' ali. A estranha completou que não teria companhias castradoras, ensinadores de lições de vida baratos e recusou a oferta de casamento pois todos os homens só queriam mesmo era afundar uma mulher forte, domar a fera após duas semanas de romance inicial. Admitiu, porém, que sucumbiria ao que a elevasse ao posto mais alto, o que desse mais crédito naqueles tempos escassos. O baixista riu e disse que era uma pena já estar casado com a outra cantora da mesa, senão faria isso ali, naquele momento, 'agorinha, mesmo', carregaria a estranha com as pernas gordas ou magras entre o seu pescoço por longa distância. Até cansar. A cantora completou a afirmação do companheiro dizendo que deixaria porquê pelo menos era por uma mulher que valia a pena. Todos olharam a estranha por um tempo e a cantora de facto propôs um beijo coletivo na mesma. Cada um levantou-se da sua cadeira e a beijou como se fosse o seu aniversário. O cineasta, amigo de duas décadas, concordou em ouvir a proposta da estranha e falou do prazer que teria em sair para tomar um, dois, três, mil cafés com ela pela satisfação que tinha em revê-la. A estranha foi ao banheiro e entre a enrolada de um papel higiêncio de papel reciclado e furado em mãos agradeceu ao teto sujo do recinto pela alegria de um momento conjunto, pelo impulso de potência recebido. Sussurrou um 'esse Spinoza era foda!' e deu descarga liberando o espaço para a fila de mulheres que, talvez, teriam a mesma iluminação naquele banheiro sujo de rua do centro da cidade.
Friday, 2 July 2010
A Mau Caráter, Raivosa, Louca, Estrela Imaginária Que Precisa De Um Tratamento Sério
Constatou que todos os que se dizem médiuns, na verdade, podem ser até facilmente seduzidos por uma oportunidade de trabalho. E clamariam isso sem ética publicamente. Entendeu a vida inteira em sua lucidez que a difamação dos outros clama por uma loucura vinda da sua presença. Presença forte, com voz, com corpo pero louca. Era como qualquer mulher que quando chega perto da verdade é chamada de louca. Todos têm e tiveram o mesmo discurso, um recurso até bem velho esse, sempre reutilizado. Nunca tinha visto um abacaxi ser tão elogiado e automaticamente perdeu todo o respeito pela rasgação de seda. Oportunidades são somente futuras e presentes oportunidades... Deu sua vida, suas histórias e a entrega completa, esteve presente em corpo e mente, deu o vácuo entre as pernas, a batida da sua pulsação acelerada, a distonia das palmas das suas mãos, ficou disponível a qualquer associação, contudo, foi a egoísta-mor. Notou evidentemente que o propósito de tudo era a destruição do seu ego que incomodava como um elefante branco, mas a abordagem foi muito superficial para alguém que sabia sozinha mais do que qualquer pessoa dos seus próprios problemas. Sentou, ainda sozinha e não mais mal acompanhada, e sentiu a falta daqueles que tinham entrado na sua vida. Sentiu com uma força que paralisou. Ficou imóvel por minutos sentindo. Tentou dormir na travessia dos estados físicos e de mente. Chegou na cidade maledicente, que a entendia tão bem, e foi recebida com infindável amor. Amortapanacaracomoeuteamocaralhonemmeimportaquemnãogostadevocêlinda! Nem adiantava ela tentar ofender. Os anos tinham passado e era assim agora, eles a amavam porquê tinham confiança de que a 'louca' era confiável e não compactuaria com algo qualquer somente para obter uma sobremesa ao final de uma refeição. Pensou, então, que tinha o mais importante: a consciência limpa. Entregou na palma da mão aberta a sua essência. Sem vergonha, era mesmo uma sem vergonha na cara. O problema era de quem não entendeu. Percebeu que o bastidor de sacanagem sempre teve o pouco valor do começo. Como foi proposto. Considerou que poderia até não ter aberto a porta da sua casa para aquele bastidor de uso, mas já era tarde demais. Não teve orgulho do bastidor, do uso, da cena. Quis esquecer aquela dor, lamentando o desfortúnio dos seus sentimentos perdidos, caindo no ralo como uma aliança cara, chorou por dias aquela perda. Poderia ter economizado amor para outra pessoa que realmente e livremente o quisesse. Decidiu engolir a seco aquela perda e deixou o grupo facilmente seduzível e todos que queriam ou ganharam o tal 'papel' para trás. Beijou a lona rodeada de amor, pelos antigos que a viam agora 'maislindadoquenuncaquaseirreconhecível' e espirrou com a poeira trazida pelo tempo em que aquele amor ficou embrulhado em papel reciclável. Estava, na verdade, curiosa para conhecer as novas faces, constatar se ela poderia ver alguma verdade em algum rosto. Decidiu-se por aperfeiçoar a sua essência sem dar tiros no próprio metatarso. Não se maltrataria. Não se pode ganhar todas as partidas e aceitava a perda daquele grupo dando-o ao ar, como dá-se um barco de papel com um pedido ao mar. Liberando cada um ao seu destino longe. Bebeu da água pura dos que passavam a mão na sua cabeça com carinho. Não foi em nenhum momento louca, egoísta ou mau caráter, somente não deu a quem nada nunca ofereceu porquê não acreditava em impunidade. Escolheu não compactuar somente para ter um caminho fácil. Agradeceu o livramento das dubiedades e o aparecimento da claridade. Agora vestia vermelho, rosa e laranja. Emanava amor ético, pronto a ser trocado e não perturbou-se com a falta de compreensão. Entendeu tudo claramente. Começou tudo de novo, nua, com gosto de sal recém-saída do mar revolto e todos a olhavam. Estava melhorada. Como numa versão nova e 3.0. Inegavelmente: melhorada, lúcida e livre.
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- Maria Sobral
- É cantora, compositora, atriz e jornalista nordestina. É seduzida por palavras, filmes, sons, chances de dar a cara ao tapa, decolagens de aviões, cheiro de suor masculino, canções complexas, debates verbais, pensamentos ilícitos, baboseira sem compromisso, microfones e canetas. Todos os vídeos têm a autorização da mesma para a sua própria atuação. Convidados nos vídeos não se responsabilizam pelo conteúdo dos textos da autora e assinaram autorização de uso de imagem. Comentários não são necessários. Aceita parcerias literárias e musicais. Contato: mariasobralmaria@gmail.com