narrativas, crônicas e prosas superficiais de pura verdade com um fundo de mentira; ou vice-versa.

Monday, 5 July 2010

'Vamos Ser Felizes? Eu Te Digo De Verdade!'

'Vamos', ele aceitou. Teriam pouco mais de meio mês para tentarem a felicidade próxima. Depois, ela como aventureira que era, iria embora. Ele não se importou, ficaria mas não era dado a bobagens de dar negativas à felicidade. Aceitou. E começaram a ver-se com frequência, falar com vontadedoquisligarporquêsematuavoztámuitochatoporaqui, e não citavam o amor. Citavam a felicidade apenas. Importava o presente, porquê eles sabiam que o futuro deles poderia incluir uma segunda pessoa, uma pessoa de intenção verdadeira. Não tinham cartas na manga, já tinham suas ambições formadas e nenhum dos dois era indispensável às mesmas. Eram seres flexíveis, aceitavam as suas diferenças, exaltavam as suas similariedades. Pegaram a todos de surpresa com tanto carinho explícito que gritavam de longe um 'olha, os dois estão namorando!'. Não era um apenasseconhecendomerdaetaltentandoversedácerto, era pra valer, sem frescuras. Ela no seu extremo de felicidade, falando baixo, quietacalmavouficaraquicomvocêatévocêmorrermeuamor. Ele no seu extremo de atenção, dedicadofinalmentealguémlegalchegouparamedaralgumamor. Fizeram um pacto de não se ofender, de não mentir, de não falar qualquer coisa para agradarem-se, de tratarem-se bem acima de tudo ou calar se não tivessem algo bom o que falar. Conheciam os defeitos um do outro e mesmo assim disseram aquele 'trata-me bem que eu não vou embora da sua vida!'. Não conseguiam tirar a mão um do outro e ficavam calmos quando estavam próximos. Se um dos dois fosse ao banheiro sequer a inquietação imperava, ficava a mão vazia querendo a outra. Não havia nenhuma crise ao redor deles, e os dois mereciam aquele sossego de paz após tantos desencontros. Somente confiança na felicidade presente e que o futuro viesse se tivesse que vir.

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É cantora, compositora, atriz e jornalista nordestina. É seduzida por palavras, filmes, sons, chances de dar a cara ao tapa, decolagens de aviões, cheiro de suor masculino, canções complexas, debates verbais, pensamentos ilícitos, baboseira sem compromisso, microfones e canetas. Todos os vídeos têm a autorização da mesma para a sua própria atuação. Convidados nos vídeos não se responsabilizam pelo conteúdo dos textos da autora e assinaram autorização de uso de imagem. Comentários não são necessários. Aceita parcerias literárias e musicais. Contato: mariasobralmaria@gmail.com