narrativas, crônicas e prosas superficiais de pura verdade com um fundo de mentira; ou vice-versa.
Friday, 2 July 2010
A Mau Caráter, Raivosa, Louca, Estrela Imaginária Que Precisa De Um Tratamento Sério
Constatou que todos os que se dizem médiuns, na verdade, podem ser até facilmente seduzidos por uma oportunidade de trabalho. E clamariam isso sem ética publicamente. Entendeu a vida inteira em sua lucidez que a difamação dos outros clama por uma loucura vinda da sua presença. Presença forte, com voz, com corpo pero louca. Era como qualquer mulher que quando chega perto da verdade é chamada de louca. Todos têm e tiveram o mesmo discurso, um recurso até bem velho esse, sempre reutilizado. Nunca tinha visto um abacaxi ser tão elogiado e automaticamente perdeu todo o respeito pela rasgação de seda. Oportunidades são somente futuras e presentes oportunidades... Deu sua vida, suas histórias e a entrega completa, esteve presente em corpo e mente, deu o vácuo entre as pernas, a batida da sua pulsação acelerada, a distonia das palmas das suas mãos, ficou disponível a qualquer associação, contudo, foi a egoísta-mor. Notou evidentemente que o propósito de tudo era a destruição do seu ego que incomodava como um elefante branco, mas a abordagem foi muito superficial para alguém que sabia sozinha mais do que qualquer pessoa dos seus próprios problemas. Sentou, ainda sozinha e não mais mal acompanhada, e sentiu a falta daqueles que tinham entrado na sua vida. Sentiu com uma força que paralisou. Ficou imóvel por minutos sentindo. Tentou dormir na travessia dos estados físicos e de mente. Chegou na cidade maledicente, que a entendia tão bem, e foi recebida com infindável amor. Amortapanacaracomoeuteamocaralhonemmeimportaquemnãogostadevocêlinda! Nem adiantava ela tentar ofender. Os anos tinham passado e era assim agora, eles a amavam porquê tinham confiança de que a 'louca' era confiável e não compactuaria com algo qualquer somente para obter uma sobremesa ao final de uma refeição. Pensou, então, que tinha o mais importante: a consciência limpa. Entregou na palma da mão aberta a sua essência. Sem vergonha, era mesmo uma sem vergonha na cara. O problema era de quem não entendeu. Percebeu que o bastidor de sacanagem sempre teve o pouco valor do começo. Como foi proposto. Considerou que poderia até não ter aberto a porta da sua casa para aquele bastidor de uso, mas já era tarde demais. Não teve orgulho do bastidor, do uso, da cena. Quis esquecer aquela dor, lamentando o desfortúnio dos seus sentimentos perdidos, caindo no ralo como uma aliança cara, chorou por dias aquela perda. Poderia ter economizado amor para outra pessoa que realmente e livremente o quisesse. Decidiu engolir a seco aquela perda e deixou o grupo facilmente seduzível e todos que queriam ou ganharam o tal 'papel' para trás. Beijou a lona rodeada de amor, pelos antigos que a viam agora 'maislindadoquenuncaquaseirreconhecível' e espirrou com a poeira trazida pelo tempo em que aquele amor ficou embrulhado em papel reciclável. Estava, na verdade, curiosa para conhecer as novas faces, constatar se ela poderia ver alguma verdade em algum rosto. Decidiu-se por aperfeiçoar a sua essência sem dar tiros no próprio metatarso. Não se maltrataria. Não se pode ganhar todas as partidas e aceitava a perda daquele grupo dando-o ao ar, como dá-se um barco de papel com um pedido ao mar. Liberando cada um ao seu destino longe. Bebeu da água pura dos que passavam a mão na sua cabeça com carinho. Não foi em nenhum momento louca, egoísta ou mau caráter, somente não deu a quem nada nunca ofereceu porquê não acreditava em impunidade. Escolheu não compactuar somente para ter um caminho fácil. Agradeceu o livramento das dubiedades e o aparecimento da claridade. Agora vestia vermelho, rosa e laranja. Emanava amor ético, pronto a ser trocado e não perturbou-se com a falta de compreensão. Entendeu tudo claramente. Começou tudo de novo, nua, com gosto de sal recém-saída do mar revolto e todos a olhavam. Estava melhorada. Como numa versão nova e 3.0. Inegavelmente: melhorada, lúcida e livre.
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- Maria Sobral
- É cantora, compositora, atriz e jornalista nordestina. É seduzida por palavras, filmes, sons, chances de dar a cara ao tapa, decolagens de aviões, cheiro de suor masculino, canções complexas, debates verbais, pensamentos ilícitos, baboseira sem compromisso, microfones e canetas. Todos os vídeos têm a autorização da mesma para a sua própria atuação. Convidados nos vídeos não se responsabilizam pelo conteúdo dos textos da autora e assinaram autorização de uso de imagem. Comentários não são necessários. Aceita parcerias literárias e musicais. Contato: mariasobralmaria@gmail.com