narrativas, crônicas e prosas superficiais de pura verdade com um fundo de mentira; ou vice-versa.

Thursday, 22 July 2010

Abraçou As Costas Daquela

Longíqua pessoa e disse 'chora que eu seguro'. Segurou com efeito. Segurou sem suspiro e colocou todas as vértebras no lugar. Prometeu a vinda e chegou. Segurou as costas, pelas costas, enquanto um tomate era cortado, não uma cebola. O choro era verdadeiro, não era um choro de cebola. 'Segura essa onda, neguinha, que eu cheguei. Bota aquela argola que eu te dei, vamos sair', ordenou. Deixou o tomate e foi para a argola. Voltou e uma taça de vinho tinto esperava ainda sem equilíbrio de horizonte, vinho recém posto na taça. 'A gente vai e ninguém mais vai, fique tranquila. Pode vazar a emoção! Ninguém vai estar lá', acalmou. 'Bota aquele vestido bonito e acende esse olho. Quero ver os olhos pegando fogo!', delegou. 'Tem gente bondosa vindo aí, não vai precisar se defender mais! Confie!', anunciou. 'Deixa esse tomate, pega cinco uvas e pensa que teu nome é Isadora!', continuou. 'Fecha a porta, deixa uma luz acesa, e olha sempre para os lados ao caminhar na rua', completou. A tranca deu duas voltas. Logo, iria voltar. Bem melhor. Ou não.

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É cantora, compositora, atriz e jornalista nordestina. É seduzida por palavras, filmes, sons, chances de dar a cara ao tapa, decolagens de aviões, cheiro de suor masculino, canções complexas, debates verbais, pensamentos ilícitos, baboseira sem compromisso, microfones e canetas. Todos os vídeos têm a autorização da mesma para a sua própria atuação. Convidados nos vídeos não se responsabilizam pelo conteúdo dos textos da autora e assinaram autorização de uso de imagem. Comentários não são necessários. Aceita parcerias literárias e musicais. Contato: mariasobralmaria@gmail.com