narrativas, crônicas e prosas superficiais de pura verdade com um fundo de mentira; ou vice-versa.

Wednesday, 7 July 2010

Dunga E Eliza

Foram decapitados, esquartejados, mortos e descartados. Um viu o pós-morte e sacode a poeira, e a outra ainda não teve seus ossos achados entre a areia. Um tentou defender a nação com seu temperamento de esforço e pouco sorriso, outra tentou defender o seu amor e filho com exacerbado sorriso e oferta de corpo e vida. Ambos tinham ambições no País da genteboazice, dedãolegal, humildade e resiliência hierárquica. Os dois não sabiam que mesmo em posto de direção ou sendo mãe do filho não eram os que mandavam, e foram cortados dos seus postos. Os homens odiavam e julgavam o Dunga que não obteve vitória. As mulheres odiavam a Eliza mariachuteira que teve o que mereceu por ser gananciosa. A pátria mãe gentil gosta de filhos obedientes, sem ambição, prontos a aceitar com resignação seja o que Deus quiser. Dunga e Eliza são a prova de um País de mentalmente deficentes que anula pessoas competentes sem sorriso, reservadas e com poucos amigos ou mulheres sozinhas que não são mulheres oficiais. O importante é um dedo de legal, quem você conhece e sua capacidade de não pensar, calar a boca, amar ficando em segundo plano e apanhar calado. Dunga e Eliza são ilustrações mortas da vergonha que é a pátria amada intolerante, nepotista, machista e julgadora.

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É cantora, compositora, atriz e jornalista nordestina. É seduzida por palavras, filmes, sons, chances de dar a cara ao tapa, decolagens de aviões, cheiro de suor masculino, canções complexas, debates verbais, pensamentos ilícitos, baboseira sem compromisso, microfones e canetas. Todos os vídeos têm a autorização da mesma para a sua própria atuação. Convidados nos vídeos não se responsabilizam pelo conteúdo dos textos da autora e assinaram autorização de uso de imagem. Comentários não são necessários. Aceita parcerias literárias e musicais. Contato: mariasobralmaria@gmail.com