narrativas, crônicas e prosas superficiais de pura verdade com um fundo de mentira; ou vice-versa.

Sunday, 18 July 2010

Já Que Não Foi O Dia

Iria esperar outra noite. Para tentar de novo. Para começar tudo outra vez, com um novo 'oi, você é daqui dessa cidade?'. Aí, quem sabe, faria uma escolha melhor outro dia, de noite. Sabendo que apesar de não ser a melhor escolha, seria a que mais perduraria, a de pedra bruta. Tentaria conquistar pela boca, pelos olhos, aceitando a face mais convencida daquele ser tão inexperiente, e ao mesmo tempo tão curioso e experimentado para aquela insignificante pequena vivência. Diria coisas poucas, com voz doce, somente para surrupiar o momento e levar para um escuro que calasse aquela boca falante. E aí, quando sentiria o inteiro, sim, a partir de então, fixaria o olhar sem balbuciar textos de preenchimento falso, vazios como os pastéis de feira. Somente porquê sentiu o que queria, e notou que aquela baboseira toda não levava a nada. Iria calar! Calar toda aquela góga babada. Bem calado, sentado, moreno, de dente torto arrancável com um dedo, metido a besta fera, queijudo e esperando, realmente, quem calasse aquela boca grande. E chegaria. Para mostrar quem seria teu mestre. Mas, iria chegar somente outra noite. Tudo de novo.

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É cantora, compositora, atriz e jornalista nordestina. É seduzida por palavras, filmes, sons, chances de dar a cara ao tapa, decolagens de aviões, cheiro de suor masculino, canções complexas, debates verbais, pensamentos ilícitos, baboseira sem compromisso, microfones e canetas. Todos os vídeos têm a autorização da mesma para a sua própria atuação. Convidados nos vídeos não se responsabilizam pelo conteúdo dos textos da autora e assinaram autorização de uso de imagem. Comentários não são necessários. Aceita parcerias literárias e musicais. Contato: mariasobralmaria@gmail.com