narrativas, crônicas e prosas superficiais de pura verdade com um fundo de mentira; ou vice-versa.

Saturday, 3 July 2010

A Alquimia

A transmutação dos sentimentos, o enriquecer do fracasso, a observação do simples, tudo, enfim, estava representado naquela tarde e naquele parque. As árvores frutíferas e frondosas todas repletas e fartas, as frutas caídas e podres ainda ao chão, os grilos sem descanso, as penumbras da meia luz já chegando, os corredores, o pipoqueiro de camisa branca e chapéu de sol e as crianças felizes. Todos estavam ali. A vida simples e amorosa do parque em equilíbrio fez o indivíduo querer o parque eternamente em sua mente. Queria a riqueza daquela luz, o calor daquela temperatura, o preencher daquele entorno, a capela protegendo, as árvores dando sombra, a disputada pipoca comprada com centavos que matava a fome, uma bola leve e colorida de plástico e o balão da fantasia em forma de coração para reviver o sorriso. O balanço era a aventura mais concorrida, os pequenos amam a doce aventura do alto e do baixo, o vento ao rosto, o leve frio na barriga sem pés ao chão. Os maiores brincavam com os maiores, os menores com os menores. Alguns maiores tinham a obrigação de irmãos mais velhos e tinham que brincar com outros menores sob a observação de um dito responsável. O lago com os patos e com o único pedalinho inspirava a fila dos que queriam passar 'por cima' dele, navegar por um segundo com patos ao redor, os patos que observavam os seres maiores que os mesmos apenas em tamanho, não em habilidade náutica. A pista de corrida ficava cada vez mais cruel a cada volta que lhe era completa, muitos suavam bicas no esforço do exercício. Quanto mais corriam, mais suavam. Os que escolheram fazer um piquenique liam seus livros com tranquilidade, satisfeitos com o momento de interiorização e paz sobre uma grama verde. O quiosque da água de côco tinha a maior rotatividade com todos os sedentos daquele elixir da vida, daquela água maravilhosa e jovem, queriam ser revigorados. O indivíduo quis somente um parque acolhedor em sua mente. Um parque simples, de aventuras simples como a do mecânico e fluido balanço que deixava os inocentes tão felizes. O parque amoroso, simples e tranquilo que transmutava o fel no mais saboroso algodão doce fazendo a alquimia do pensamento.

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É cantora, compositora, atriz e jornalista nordestina. É seduzida por palavras, filmes, sons, chances de dar a cara ao tapa, decolagens de aviões, cheiro de suor masculino, canções complexas, debates verbais, pensamentos ilícitos, baboseira sem compromisso, microfones e canetas. Todos os vídeos têm a autorização da mesma para a sua própria atuação. Convidados nos vídeos não se responsabilizam pelo conteúdo dos textos da autora e assinaram autorização de uso de imagem. Comentários não são necessários. Aceita parcerias literárias e musicais. Contato: mariasobralmaria@gmail.com