narrativas, crônicas e prosas superficiais de pura verdade com um fundo de mentira; ou vice-versa.

Wednesday, 21 July 2010

Se

para E....

A minha idéia for a tua idéia, e se a nossa idéia pertencer a uma terceira pessoa, quem seria o dono da idéia? Se você morrer, a idéia continua sendo sua, você seria respeitado? Ou vira nossa, da dupla restante? E se a teoria das cordas for comprovada e virar a lei das cordas? E se eu puder multiplicar essa tal idéia, através do meu clone, que vive em altitude e latitude mundial oposta à minha, em outra parte do mundo? E se o meu clone executar a idéia de maneira medíocre porém mais exponente que a minha mesma idéia? Eu estaria imitando o meu clone? Se eu dobrar todos os meus pensamentos no ser mais próximo a mim, e ele for embora? Quem seria esse ser a quem eu dei o meu pensar? E se pensamentos não se dão, como poder-se-ia realizá-los em silêncio? E se com calma e em silêncio alguém ouvisse o outro até que ele se hiptinotizasse a si mesmo com a sua própria voz, e ele até pensasse que tudo que ouviu da voz induzida foi fruto da sua mente, exclusivamente? Quem seria o hipnotizador, o ouvinte ou o falante? E se ele continuasse hipnotizado até que se sentisse, por silêncio e apenas voz própria sem dissidência, capaz o suficiente de ser o maior de todos? E se quando não hipnotizado o ser de voz ativa e preponderante notasse que enquanto esteve hipnotizado com suas próprias palavras outros seres já falavam outras coisas mais relevantes? E se ele sentisse o defasar do seu pensar? E se ele notasse a falta de renovação mental por falta de movimento físico? E se ele parasse de se falar e por dez dias fosse abnegado o bastante para apenas escutar, sem falar? E se ele não tivesse esse tempo? E se amanhã fosse o seu último dia de vida? Você executaria a tal idéia ou procuraria o banho de mar mais próximo? E se as idéias não existissem, somente a ação e o movimento consequencial que levaria ao improviso do acontecimento, puramente no presente atual? E se você tivesse que estar constantemente alerta, por não haver plano? E se as oportunidades fossem todas chupadas naquele momento com rapidez? E se não houvesse planejamento e o instinto primordial fosse o executor da ação sem pensamento? E se houvesse um vencedor, quem seria, o mal ou o bem? E se eu pudesse dobrar toda a minha ação em ida e volta, como um bumerangue? E se nessa volta do bumerangue todos se matassem sem saber, apenas por movimento consequencial impensado? E se todos se matassem qual seria o animal que reavivaria a espécie humana? E se depois de reavivada, a espécie humana tivesse o primeiro ser humano com uma idéia dissidente, o que aconteceria? Internariam ou interditariam a idéia dissonante por desordem da união da espécie. E qualquer idéia não mais seria sua. Por incapacidade mental. De pensar pensamentos. Você morreria pobre e iniputável. E a próxima geração o resgataria como gênio incompreendido, exemplo de ultrapassamento da geração anterior. E você seria grande, como deveria ser quando pensava.

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É cantora, compositora, atriz e jornalista nordestina. É seduzida por palavras, filmes, sons, chances de dar a cara ao tapa, decolagens de aviões, cheiro de suor masculino, canções complexas, debates verbais, pensamentos ilícitos, baboseira sem compromisso, microfones e canetas. Todos os vídeos têm a autorização da mesma para a sua própria atuação. Convidados nos vídeos não se responsabilizam pelo conteúdo dos textos da autora e assinaram autorização de uso de imagem. Comentários não são necessários. Aceita parcerias literárias e musicais. Contato: mariasobralmaria@gmail.com