narrativas, crônicas e prosas superficiais de pura verdade com um fundo de mentira; ou vice-versa.
Thursday, 20 May 2010
Deixemos De Lado A PaSSionalidade E Compremos Um Aurélio
Seria fácil entender o significado de selvagem, e silvestre, e selva também. Faríamos a corrupção, ou uma corruptela das palavras que leríamos e escreveríamos até cocô com elegância. Afinal, comemos merda na rua, mesmo e temos um final de semana de diarréia? Cocô com tesão. Com a 'bíblia' em casa, abriríamos um dia uma página e a nova palavra sorteada adquirida ao vocabulário salvaria a superficialidade humana, a falta do querer bem no saber se está tudo bem, do biscoito da sorte. A preocupação empresarial não existiria, pois quem tem uma idéia boa na cabeça, quem sabe, pode ter outra. Sem medo. Com um Aurélio, teria razão, racionalidade plausível o suficiente para ser lido com admiração. O Aurélio o fará escrever bem em papel, caderninho, mão, pele, espelho, partitura, nota de 5 reais, jornal, livro, roteiro, guardanapo, script e mesmo no blog se quiser. Porém, você primeiramente tem que amar escrever por escrever, não importa aonde. Se o indivíduo mora no Copan, melhor ainda! Com certeza, ele pode comprar um Aurélio usando o maestrovisaeletrondébito à vista. A empresa paga, sim. E sem a passionalidade o progresso vem, e o Aurélio ajuda nisso também. Faz-te eloquente e sensato, com razão, aquele tal pára para te ler. Une o vozeirão e vai para o palco que vai dar platéia. A massa sem Aurélio e sem voz grave vai ver e querer o que eles não têm. $$$Katching$$$!! Vai render muito. Esquece a passionalidade. Ela só serve para nada. Para nada? Para nada! Um Aurélio tem múltiplas utilidades. Quando o ler todo, ele vira papel higiênico, o papel é fininho, não arranha o seu anûs luz, seu guia de vida. Você até se sente um subversivo de verdade. Rasgou, cagou, limpou merda na 'bíblia'. Quem souber disso vai achar você louco, e sua provocação vai funcionar. Avant garde? Talvez.. Tenta! Faz uma performance letrada. Arranja um empresário diplomático para ser esse futuro artista polêmico, e as pessoas vão te rodear. Ele faz firula e você caga na 'bíblia'. Só googleia a idéia antes e pesquisa se alguém já fez isso. Ser impostor é feio. Não adianta se debater, porquê é feio, sim. As pessoas já sabem que não é idéia sua. Passionalidade, passione? Ah, isso não, né? Já virou até título de novela... Passionalidade tem a ver com o visceral? Taí! O Aurélio te ajuda e te diz isso. Compara, vai? E esquece isso. Artistas não precisam desse sentimento. Esquece isso, logo. E compra um Aurélio. É o melhor a fazer.
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- Maria Sobral
- É cantora, compositora, atriz e jornalista nordestina. É seduzida por palavras, filmes, sons, chances de dar a cara ao tapa, decolagens de aviões, cheiro de suor masculino, canções complexas, debates verbais, pensamentos ilícitos, baboseira sem compromisso, microfones e canetas. Todos os vídeos têm a autorização da mesma para a sua própria atuação. Convidados nos vídeos não se responsabilizam pelo conteúdo dos textos da autora e assinaram autorização de uso de imagem. Comentários não são necessários. Aceita parcerias literárias e musicais. Contato: mariasobralmaria@gmail.com