narrativas, crônicas e prosas superficiais de pura verdade com um fundo de mentira; ou vice-versa.

Thursday, 13 May 2010

Doce

Alessandra achava que era um pau doce. Ele devia comer muito açúcar, que ficava no sangue, que saía na urina entre as transas empolgadas, que deixava resquício na rôla dura de novo, e que entrava deliciosamente na sua boca. Era doce. Ficava encarando o objeto do seu tesão de joelhos com uma visão de baixo para cima, de boca cheia e sentia mais tesão ainda. Um tesão calmo, intenso, de sangue quente e nem parecia que faziam 12 graus naquela madrugada. Tudo estava quente. Pegava nele com propriedade, e por instantes abusava feroz, ela podia pintar e bordar na pele dele. Costurar até. Pensou em pegar uma agulha com linha vermelha e alinhavar a linha entre o final do joelho e o começo da coxa daquele homem, somente para ver o contraste de cores, linha vermelha em pele branca. Pensou até que naquele momento ele nem merecia tanto zelo no flagelo. É que ele ficava doce e dócil quando ele se preenchia de desejo por ela. A voz masculina ficava macia, o suor era generoso, o contato físico era colado. O tesão do começo havia se transformado, tinha ficado mais sacana, mais aberto, menos corrido. Explícito. Safadeza com o olho no outro olho. Doce. Era um avanço. Os dois tinham pensado em desistir tantas vezes, mas aquela sexualidade cada vez mais terna e invasiva uniu os dois como superbond. Grudados. Problemas existiriam, dificuldades acenariam muitas vezes. Era só o começo de um caso de amor e tanto tesão. A doçura daqueles momentos de felação e chupadas, quando se olhavam de cima para baixo e de baixo para cima salvavam tudo. Eles tinham uma visão aberta. E a doçura do pau, do semên, da nutella na buceta e dos olhares era a maior heroína da história. Doce e viciante. Alicerce de uma união explosiva, complicada, instigante, inconstante, compreensiva, documentada, erotizada e sempre assim: doce.

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É cantora, compositora, atriz e jornalista nordestina. É seduzida por palavras, filmes, sons, chances de dar a cara ao tapa, decolagens de aviões, cheiro de suor masculino, canções complexas, debates verbais, pensamentos ilícitos, baboseira sem compromisso, microfones e canetas. Todos os vídeos têm a autorização da mesma para a sua própria atuação. Convidados nos vídeos não se responsabilizam pelo conteúdo dos textos da autora e assinaram autorização de uso de imagem. Comentários não são necessários. Aceita parcerias literárias e musicais. Contato: mariasobralmaria@gmail.com