narrativas, crônicas e prosas superficiais de pura verdade com um fundo de mentira; ou vice-versa.
Tuesday, 18 May 2010
O Feirão Da Caixa
Foi incrível. O repórter dizia que, no primeiro dia, R$276 mi em contratos haviam sido movimentados. Henrique e Cristina entreolharam-se e ele vomitou um 'vamos lá amanhã, né?'. Aquele aluguel estava muito caro, e nem podiam pintar uma parede de vermelho como o feng shui mandava. O proprietário não permitia. Ela disse um 'vamos', empolgada. Não pensavam em se casar. Já moravam juntos e trepavam às 17h30 da tarde comendo uvas verdes tão naturalmente, que não queriam estragar tudo com a posse de um contrato. Já o contrato da casa, sim. Este, eles queriam. Dormiram cedo, abraçados e às 10h da manhã do outro dia estavam visitando o quinto stand de corretoras. Ficaram olhando os preços e Cristina se perguntava se o amor deles duraria até que a escritura do imóvel fosse lavrada em seus nomes. Esbarraram em um homem chamado Bernardo. Cristina ficou nervosa. Henrique tomou a frente e se apresentou, só assim descobriu que o nome do sujeito era Bernardo. Bernardo falou um 'linda! comprando uma casa, também? você é um felizardo, Henrique. eu ainda amo essa mulher. continuo te amando!'. Despediram-se e o tempo fechou. Era nítido. Henrique nunca tinha ouvido falar de Bernardo. E ia comprar a casa com aquela recém-estranha? Cristina salvou a situação com um belo discurso que começava dizendo 'Henrique, eu vejo tudo que acontece, mas eu te amo. Omito o que sei. Não me deixa de amar por esse passado? O Bernardo me deixou quando eu fiquei mal, escreveu um ADEUS em letras maiúsculas, e me acha inesquecível por que tem saudade de mim. Ele nunca me amou. Nosso relacionamento não durou nem o intervalo inteiro entre dois ciclos menstruais meus. Ele tem saudade dos bons tempos, apenas, e agora compra uma casa sozinho. Você e eu juntos passamos a ponte. Eu sei que posso contar com você. Por favor, conta comigo? Eu te amo!'. A situação e a passageira desconfiança foram esquecidas ao assinar a compra de um apartamento de 4 quartos em Higienópolis, e às 17h40 do mesmo dia já estavam na cama em lua-de-mel. O juiz de paz foi a confiança.
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- Maria Sobral
- É cantora, compositora, atriz e jornalista nordestina. É seduzida por palavras, filmes, sons, chances de dar a cara ao tapa, decolagens de aviões, cheiro de suor masculino, canções complexas, debates verbais, pensamentos ilícitos, baboseira sem compromisso, microfones e canetas. Todos os vídeos têm a autorização da mesma para a sua própria atuação. Convidados nos vídeos não se responsabilizam pelo conteúdo dos textos da autora e assinaram autorização de uso de imagem. Comentários não são necessários. Aceita parcerias literárias e musicais. Contato: mariasobralmaria@gmail.com