narrativas, crônicas e prosas superficiais de pura verdade com um fundo de mentira; ou vice-versa.

Thursday, 20 May 2010

'Já foi?'

Perguntou ele, ansioso. 'Já! Eu corri... Ah...', disse ofegante. 'Foi rápido! Já voltou... Dá um beijo?', e foi oferecendo-se. Não parou de falar e disse 'Tá linda, cabelo assanhado...', e ouviram-se mais beijos ao ar. Ela pediu para tomar um açaí, para irem juntos. Ele disse que queria convidar uma pessoa, e que essa mesma já estava a caminho. Ela concordou. Foi o tempo de pedir a refeição energética e esperar dois minutos. Ele levantou-se e olhou por detrás dela, 'Olha ele aí!', e apresentou um estranho sorridente de nome André, que deu um abraço nela inédito em muitos meses. Nunca um estranho foi tão receptivo com ela naquela cidade. Os dois homens eram amigos há anos, e o que era dela queria esse momento 'desde que a conheceu', e só podia agora porquê era verdade. A união de dois novos e bem com um antigo harmonioso. O primeiro laço de amor, de construção, são. O que era dela era lindo, também tinha uma voz médio-grave como a dela, arrulhavam-se como dois pássaros. Conheciam-se há poucos dias e o encantamento foi imediato. Ele quis beijar a mão, ela disse que preferia na boca, e ele aceitou. Começaram bem, durante um almoço premeditado e o beijo tinha gosto de feijão. Era o primeiro dia dela desempregada e em êxtase. Tudo, o desemprego, o beijo de feijão, o encontro a três, veio antes do imaginado. Vendaval, avalanche, ogiva de felicidade foi aquele primeiro encontro anterior ao que acontecia naquele momento. Nem conseguiram se despedir e três horas depois voltaram a se encontrar, desesperados para ter um novo beijo. Agora com gosto distinto, com gosto de açaí, com a presença do André, em três e em harmonia. A entrega agora era calma. E ainda, sublime... Que continuasse, por favor...

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É cantora, compositora, atriz e jornalista nordestina. É seduzida por palavras, filmes, sons, chances de dar a cara ao tapa, decolagens de aviões, cheiro de suor masculino, canções complexas, debates verbais, pensamentos ilícitos, baboseira sem compromisso, microfones e canetas. Todos os vídeos têm a autorização da mesma para a sua própria atuação. Convidados nos vídeos não se responsabilizam pelo conteúdo dos textos da autora e assinaram autorização de uso de imagem. Comentários não são necessários. Aceita parcerias literárias e musicais. Contato: mariasobralmaria@gmail.com