narrativas, crônicas e prosas superficiais de pura verdade com um fundo de mentira; ou vice-versa.

Wednesday, 12 May 2010

Disque Me Ouve

'Mariana, me ouve? tá aí? eu te liguei ontem... você viu? eu voltei! eu te amo! eu não sabia dizer como. minto! eu sabia. mas, eu achei que você não me amasse, então de que adiantaria dizer? você é linda, generosa, amorosa como poucas, criança, insegura, ciumenta oculta, tem um medo enorme de perder, carente, e nunca se decide. contava duas histórias a duas pessoas. eu sabia de tudo, aceitei. eu não podia era te esperar, peguei aquele avião e fui. queria mesmo era que você tivesse me pedido para ficar. eu ficaria. mas, não pediu. a viagem foi linda. eu pensava em você o tempo todo. os elefantes ressoam qualquer solo deste mundo com sua força, sabia? fazer uma festa dentro de um barco-morada é muito legal, sabia? ouvi tanta gente vivida, tantas histórias de vida, sobrevivência, guerra, sabedorias populares. e só queria era te contar tudo. só pensava em você. eu não sei narrar bem, você sabe... ainda assim ia tentar por ter tua atenção. tentei me envolver com uma sérvia maravilhosa, mas ela não me entendia quando eu ficava nervoso como você me entende. você me puxava o meu melhor. eu só queria te beijar. será que você me incluiria em sua vida à luz do dia? ou levaria três anos? eu só tentei me concentrar na minha vida. você me ofendeu tanto... eu fiquei tão mal. urrei em público, expûs meu sentimento aos estranhos. julgaram mal. fiquei mais mal ainda. nunca fui indiferente. senti tudo calado. realmente, por você não se decidir e não me pedir para ficar, eu fui embora. você me acusou de não te aguentar. mentira... você sabe que eu aguentaria, eu aguentei, eu provei. eu provei sobriamente e sem resquício de dúvida. a merda é que eu não gravei o filme para te mostrar. você estando no meu lugar teria ido embora. a questão foi a falta de decisão. eu precisava que você calmamente, como eu, tomasse um firme partido. sem escândalo. ninguém te pediu escândalo. e as coisas engrenariam, e eu não teria viajado para tão longe. eu precisei de você e te liguei como você mandou, pois estaria disponível. você nem notou. aí vi que você nunca notaria quando eu precisasse de você. isso é passado. agora, eu voltei da viagem que eu precisei fazer. distanciei o meu físico e notei que você não aguentaria minhas fraquezas como eu aguentaria as suas. você me deixaria. você está com alguém? eu sinto falta desse cheiro seu de roupa guardada em gaveta sem ar. imaginei seu entorno através do meu olfato. e o lugar pouco importava. eu queria era você. te liguei para dizer que amanhã viajo de novo. alguém se ofereceu de vir me buscar. ela é legal e tem boas intenções, quer ter um filho comigo. nossa! ela ainda não é você. me pede para ficar? eu te amo tanto, tanto... amor não precisa ser dito o tempo todo, sabe? o mais importante é que eu nunca te disse um não: não te amo, não quero você, você não entende, você não é essa outra grande mulher. assim como você já me disse. isso é respeito. pensa nisso? a porta escancarada fechou para que eu chorasse um pouco sem você ver. eu quero que você veja minhas lágrimas e meu corpo nu. responde? amanhã viajo de novo. pára de me julgar e me ouve!'

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É cantora, compositora, atriz e jornalista nordestina. É seduzida por palavras, filmes, sons, chances de dar a cara ao tapa, decolagens de aviões, cheiro de suor masculino, canções complexas, debates verbais, pensamentos ilícitos, baboseira sem compromisso, microfones e canetas. Todos os vídeos têm a autorização da mesma para a sua própria atuação. Convidados nos vídeos não se responsabilizam pelo conteúdo dos textos da autora e assinaram autorização de uso de imagem. Comentários não são necessários. Aceita parcerias literárias e musicais. Contato: mariasobralmaria@gmail.com