narrativas, crônicas e prosas superficiais de pura verdade com um fundo de mentira; ou vice-versa.

Sunday, 23 May 2010

'Peitinho Massa, Ficou Massa... Que gostoso...'

E ele apalpava a novidade da argola perfurada no mamilo daquela mulher passando a mão por dentro da blusa de seda preta dela, em meio ao salão da tal festa cheio, estando os dois encobertos apenas por uma cortina da sala. O amigo mais próximo a eles viu somente aqueles pés e pôs a cara na coxia improvisada dizendo que 'sacanagem em público na casa dele, não!'. Eles riram e saíram da penumbra, concordando que teriam o respeito que fosse cabível a ele. Continuaram de olhos vidrados um no outro enquanto os garçons tentavam passar em aperto perto deles. Ele a agarrou pelo braço e disse baixo ao pé do ouvido o 'vem cá' final. Foram. Buscaram todos os lugares. Fingiram lavar as mãos na pia da área de serviço e trancaram o quarto de empregada deixando a torneira aberta. 'Abaixa as calças', ordenou o mamilo ouriçado e agora em relevo sob a blusa preta, ele agora tinha voz própria. O homem encaixou-se em dois tempos entre as pernas daquela saia fácil que ela sempre teve. Seguiu-se o encaixe fofo. Socado na medida. Sussurou ao ouvido dela o 'vamos fugir'. E concentraram-se no ato sem uma resposta. Finalizaram o momento em seus próprios ritmos sem se preocuparem com a torneira e a água corrente. Saíram da área de serviço, e voltaram ao ambiente em comum, com música ambiente e vários tagarelas com taquicardia de papo, pulsantes de palavras. Separaram-se na sala, e o caminho que ela tomou sem avisar a ninguém foi instintivamente o da porta da rua. Quis perder o controle. O controle do destino. Saiu andando, e procurava luzes fortes como sinalização. Saiu rua afora e pensava que 'queria uma queda de braço'. Em dois minutos, o telefone começou a tocar. Era o do encaixe socado e fofo. Era uma lembrança completamente preenchida aquela do encaixe. Ainda que socada era uma lembrança suave. Mas, seguiu sem atender. Estava em uma missão. Procurava algo. E seguia. Achou uma rua barulhenta, luzes haviam muitas. Sentou, como de praxe, em um bar. Tinha a desculpa da banda tocando, então podia sentar sozinha. Na verdade, não precisava de desculpas, não prestava contas. Não pedia desculpas. Pediu uma dose dupla e o telefone começou a tocar novamente. Fez-se uma personagem de Krzysztof Kieślowski, o 'seu' diretor, atendeu o telefone e ficou em silêncio. Após o 'alô', ele, que sabia da fixação ficcional, disse 'não desliga, eu quero escutar a música também, vai?'. Ela repousou o telefone em ligação sobre a mesa e continuou observando o seu entorno. Pensou no 'fica comigo' que tinha pedido àquela amiga durante a semana, e a esse pensamento somou-se o momento de um toque de um acorde menor qualquer liderado pelo baixista da banda em atuação. Chorou sem fazer careta, ou drama. Sentiu, chorou. Pensava na ida dela. Quem iria estar com ela sem os momentos felizes? Desligou o telefone, pediu a conta. Esperou, pagou. Sorveu o drink em um gole. Pegou um táxi, foi para casa, tomou um banho de sal grosso supersticiosa. Dormiu. Acordou, correu, tomou um café duplo. Tocaram a campainha. Era ela! 'Eu te amo! Foi isso!', explicou a visitante que ouviu um 'e eu o amo!' da dona da casa. 'Vou morar em outra cidade. Vim me despedir. Dar um abraço. Beijar você com vontade. Toda a vontade do mundo', e abraçaram-se iniciando a despedida. 'Não vai entrar pelo menos? Olha o que eu fiz..', e ouviu um não após ter o mamilo agora em relevo em amostra acariciado . Como previsto não conseguiu ver a amiga caminhando ao longe e fechou a porta. Fez outro café, amargo, sentiu um calafrio, como se estivesse com o coração pulsando no estômago. Era um novo recomeço. Muito perigoso. Emoções sem suporte eram o futuro próximo. Aquela parede não existia mais, seria nocaute na certa. Chão. Um novo começo perigoso. Tinha satisfação em ter a vida nova com mais riscos. Saudosa, trêmula. E satisfeita com a corda bamba emocional, podendo ir ao chão a qualquer hora. Nunca achou a segurança ou o comforto algo que oferecesse confiança. Na liberdade do peito perfurado, sem uma amiga à mão, tomava um novo café trêmula e entendia tudo o que estava acontecendo ao seu redor. Era o supra sumo da lucidez emocional. O telefone tocou e ouviu um 'você está bem?'. Respondeu que estava ótima, disposta e queria sair e viver.

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É cantora, compositora, atriz e jornalista nordestina. É seduzida por palavras, filmes, sons, chances de dar a cara ao tapa, decolagens de aviões, cheiro de suor masculino, canções complexas, debates verbais, pensamentos ilícitos, baboseira sem compromisso, microfones e canetas. Todos os vídeos têm a autorização da mesma para a sua própria atuação. Convidados nos vídeos não se responsabilizam pelo conteúdo dos textos da autora e assinaram autorização de uso de imagem. Comentários não são necessários. Aceita parcerias literárias e musicais. Contato: mariasobralmaria@gmail.com